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A edição de um livro influencia o ritmo de leitura?

Eu sempre achei frescura das pessoas quando as via falando de as páginas do livro serem brancas, ou finas demais, ou que um capítulo termina e, na mesma página, outro começa. Sempre pensei: “Nossa, mas o mais importante não é a história? Se a história for boa, você vai ler de qualquer jeito.”

Mas a vida tem aquele jeitinho especial de nos mostrar quando estamos errados simplesmente nos fazendo passar por determinada situação. A minha situação está sendo com a experiência de leitura de A sombra do vento, de Carlos Ruiz Zafón. O livro está incrível, a história é muito boa, as personagens todas são muito bem construídas, não há descrições muito desnecessárias… enfim, tudo o que um livro precisa ter para me agradar.

Mas a leitura não anda.

Sabe aquela sensação de ter lido por uma hora ininterrupta e continuar na mesma página?

Fiquei me perguntando o porquê de um livro aparentemente curto e “simples” estar se arrastando tanto, até que cheguei a uma conclusão: é a edição.

Uma mão segura o livro A sombra do vento em frente a um fundo bege. A foto está com algumas sombras. No canto esquerdo, a marca d'água do blog/instagram: Nane Verso 2021 dentro de um triângulo.
Edição de A sombra do vento que tenho

A edição na qual estou lendo é da editora Objetiva, com 341 páginas. Só que são 341 páginas com capítulos que começam na mesma página em que termina o outro e, pode ser apenas impressão minha, mas sinto que as margens são um pouco menores do que as dos livros que estou acostumada a ler. A leitura “não anda” porque a diagramação não é exatamente convidativa para mim.

Há alguns anos, passei por um programa de reabilitação alimentar em que aprendi que os olhos são parte importante da refeição; um prato bonito de se ver tem muito mais chances de me fazer comer de maneira saudável do que um prato arrumado de qualquer jeito. E chego hoje à conclusão de que isso serve também para os livros.

Talvez seja esse o motivo de todo mundo dizer que a leitura no Kindle rende muito mais do que a leitura em um livro físico; afinal, você pode personalizar sua experiência de leitura, com as fontes e margens que julga mais adequadas, além de não precisar ficar ansioso de ver os números de páginas não passando, se não quiser.

Este post, então, é um pedido de desculpas a todas as pessoas que julguei. Hoje entendo suas “dores” e concordo que uma boa edição pode, sim, influenciar a experiência de leitura.

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Tela azul

Eu não aguento mais tanta gente morrendo. Eu não aguento mais estar 5 dias atrasada nas tarefas (de acordo com meu planner). Eu não aguento mais não aguentar mais e continuar aguentando, como dizia um post que vi ontem no Instagram.

O mais triste é saber que não estou sozinha. Geralmente, não estar sozinha é algo que me ajuda, mas não na atual situação. Não sabemos mais que dia é hoje, não sabemos mais até que ponto a concepção de tempo é mesmo real ou apenas uma invenção da humanidade. Disse isso para uma seguidora/apoiadora no Instagram: não sei mais até que ponto é verdade que a Terra gira e que tenhamos dias e noites e até que ponto isso não é só uma ilusão de ótica para nos fazer colocar algum padrão em alguma coisa.

Pensando bem, acho que escrevi exatamente sobre isso sem querer. É na ficção que minhas ideias mais estranhas se mostram e, aparentemente, são apenas ficção mesmo. Pois, afinal, como é que poderíamos todos estarmos sendo controlados sem sabermos? (A raça humana inteira e o universo todo, mesmo, não o controle que atribuímos ao Sistema e à Sociedade como um todo).

Isso me lembra que preciso refinar mais meu texto porque o edital para o qual o escrevi tem prazo. O que me lembra do prazo do outro edital, para o qual jurei que enviaria um texto também, mas as ideias se embolaram tanto que se transformaram numa história que uma criança de 5 anos escreveria nas aulas de redação da escolinha. (Tem aula de redação na escolinha?)

A memória, aquela de que me gabo o tempo inteiro, está nebulosa. Será que parte do conteúdo dela foi carregado para a nuvem e esse é o real motivo? Poderia ser. Em um mundo cada vez mais desumano, parece que viver em forma de dados seria a melhor opção – apenas fatos, nenhum sentimento.

Uma vida imortal e indiferente. Talvez apenas uma vida diferente.

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O Globo de Ouro de Gillian Anderson e o que isso tem a ver comigo

Fotos respectivamente do GettyImages e da NBC (mas também poderia ter sido uma foto da minha TV)

Eu comecei este post querendo ser profunda, mas a escrita não estava fluindo. Isso, para mim, é sinal de que estou escrevendo errado, sem coração. O que eu queria falar mesmo era de como meu coração se encheu de ver Gillian Anderson ganhar o segundo Globo de Ouro de sua carreira, de como eu a admiro cada dia mais, e de como Marina, Ana e eu achamos que o Oscar vem para ela antes dos 60. Mas, sabe, as pessoas acham esse tipo de post fútil. Alguns, inclusive, postam nas redes sociais frases do tipo “Apoie seus amigos como você apoia suas celebridades preferidas que não estão nem aí para você”.

Olha, isso é bem verdade. A Gillian não está nem aí para mim. Ela viu a minha cara algumas vezes e até se lembrou de mim por um fim de semana inteiro, mas foi tudo o que consegui de memória dela. E está de bom tamanho para mim. 

O que importa mesmo é o sentimento que ela causa em mim, a inspiração que ela irradia e me faz querer mais, ser mais. E é essa troca, mesmo que ela não saiba que está trocando algo comigo, que me impulsiona também a ver o mundo de outra forma. Somos apenas parecidas no quesito de não gostarmos muito de pessoas (de vez em quando?), ou talvez nas caretas que fazemos quando nos sentimos confortáveis com alguém. Mas Gillian é tão parte de mim quanto são meus (poucos) amigos. Eu posso não ser parte dela, mas ela é parte de mim. Então, por que não falar dela quando ela atinge um novo ápice de sucesso? Por que não exaltar o sucesso de quem me faz bem? E ela me faz tão bem que, ao assistir o Globo de Ouro só para vê-la, acabei entrando num buraco fundo de reflexão sobre a vida, sobre minha trajetória até aqui. 

Enquanto assistia à premiação, tive algumas surpresas. A surpresa mais marcante poderia ter sido Laura Pausini ganhando o prêmio de melhor canção original e eu nem saber que ela havia sido indicada. Poderia ter sido também Josh O’Connor ganhando o prêmio de melhor ator por seu papel como príncipe Charles em The Crown, mesmo não sendo favorito. Mas não. A surpresa maior foi ver Hugh Grant cheio de rugas e de cabelos brancos. Foi ver Sean Penn e precisar analisar bem para ter certeza de que era ele mesmo. Foi ver Al Pacino quase irreconhecível. Porque, mesmo não sendo fã deles como sou de Gillian, os filmes deles me acompanharam pela vida também. Ver a juventude se transformando em velhice foi algo chocante porque me lembrou da minha própria finitude, do meu próprio envelhecimento. Não sou mais a criança que assistia Arquivo X com a mãe nas noites de sextas-feiras. Eu cresci e agora sou mulher, tenho que encarar com muita fé.

Fiquei nostálgica por tempos que gostaria que voltassem, mas, principalmente, fiquei ansiosa pelo futuro. Geralmente, a ansiedade me mata; desta vez, ela está me fazendo ver as coisas por outro ângulo. Porque, da mesma forma que atores e atrizes envelheceram e já nem ouço mais falar tanto deles, outros atores e atrizes estão envelhecendo cada vez mais fortes, com voos cada vez mais altos, com a frase clichê estampada no inconsciente: o melhor ainda está por vir.

E foi isso que Gillian Anderson ganhando seu segundo Globo de Ouro aos 52 anos fez por mim: me fez enxergar que, apesar de estar envelhecendo, não sou tão velha que meu auge tenha ficado para trás. 

Parabéns, Gillian. Obrigada, Gillian.

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O cocô do cavalo do bandido

O cocô do cavalo do bandido voou e foi parar no cérebro da moça que nada tinha a ver com a história. Uma artista em corpo de professora mal paga e completamente desvalorizada em todos os sentidos. E, de pensar tanto em sua impotência, acreditou ser incapaz. Invisível. O sonho era grande e ela estava disposta a voos altos. Não tinha medo da queda, nunca tinha tido. Mas, agora que o cocô do cavalo do bandido havia se misturado ao cérebro, ela sentia como se já tivesse caído; a queda havia quebrado todos os seus ossos e ela, mais uma vez, estava impotente, incapaz. E invisível. As pessoas ao seu redor a olhavam – quando olhavam –, mas não ajudavam a remendar seus ossos. Não chamavam um médico, não paravam para ajudar, não achavam que ela merecia. Afinal de contas, há tanta gente no mundo para ser ajudada, por que razão ela seria uma delas? Ela não podia se esquecer: era o cocô do cavalo do bandido e as pessoas a tratavam como tal.

Foto por Dids em Pexels.com
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Sem gentileza – Futhi Ntshingila

Foto autoral

As primeiras páginas de Sem gentileza, escrito pela sul-africana Futhi Ntshingila, ditam a intensidade do que teremos pela frente. Mvelo, 14 anos, cuida sozinha da mãe com aids e precisa vasculhar os lixos em busca de comida para poderem sobreviver. Esta situação está destacada em um trecho que escancara as diferenças entre as classes:

Nós, os esquecidos, sabemos que segunda-feira é dia do lixo. Nós saímos em peso nas manhãs de segunda para vasculhar os sacos pretos que guardam essa linha frágil entre a vida e a morte para nós.

Ficamos com essa sensação de aperto no peito à medida que, uma após a outra, as tragédias vão moldando a vida de Mvelo. E não que gostemos de tragédia ou torçamos para isso, mas é o que faria mais sentido naquele contexto. O coração, de apertado, vai até à boca. Nos seguramos na cadeira e quase roemos as unhas quando… a autora começa a contar outra história, do nada. Sim, histórias de outras pessoas (ainda que relacionadas à história de Mvelo), deixando aquela sensação de anticlímax no ar e no fundo da nossa garganta. O coração volta para o lugar, desapontado.

É compreensível o caminho que Ntshingila toma para demonstrar a importância da ancestralidade e de conhecermos a cultura de um país acostumado com adolescentes sendo engravidadas por “tios”, com violações disfarçadas de teste de virgindade e com homens que acreditam ser trabalho da mulher se proteger contra doenças e gravidez em plena alta do vírus HIV. É compreensível, mas não necessariamente a melhor escolha para manter o leitor cativado. Afinal, por que começar o romance contando a história de Mvelo se a personagem vai ser “esquecida” até quase o fim do livro? Falta equilíbrio entre os pontos de vista, nos dando a sensação de que algo deu errado em algum momento da escrita e que ninguém notou antes de publicar. A impressão que fica quase até o fim é que Mvelo, no fim das contas, fora apenas o gatilho para a história real que Ntshingila estava tentando contar.

O que ela queria contar mesmo é a história dos conflitos entre brancos e negros, entre negros e negros, entre os seres humanos e o HIV, entre as mulheres e a liberdade que nunca tiveram. Há muitas questões importantes que são pontos de reflexão neste livro, que abrem debates também importantes ainda nos dias de hoje. A história se passa nas décadas de 1990/2000, o que significa que não está tão longe assim do que conhecemos hoje. O patriarcado ainda está aí, mulheres reproduzindo discursos patriarcais sem saber também, e, principalmente, homens que se acham donos de mulheres simplesmente por terem um órgão balançando entre as pernas. Homens que confundem abraço com “quero transar” e homens que se doem quando usamos a palavra “patriarcado”. É dolorido sentirmo-nos na pele de Mvelo e de Zola em muitas situações.

Em contraste com esse sentimento e de forma bem executada, Futhi Ntshingila narra os acontecimentos com destreza e sutileza. Ela nos engana ao nos fazer pensar que estamos prestes a ver outra tragédia se desenrolar para, então, nos presentear com a mulher vencendo. O problema disso tudo é que, em determinado momento, a história fica tão leve que a narrativa se perde em meio a uma novela mexicana digna de ser reprisada no SBT por anos a fio. De repente, sentimos que uma história que começou extremamente adulta se tornou infantil, com soluções tão mirabolantes que até Paola e Paulina se surpreenderiam.

O fato é que o livro começa no topo da escada e termina no primeiro degrau. Uma pena. No entanto, fica aqui a indicação para quem gosta de sair do eixo comum de leituras (que geralmente se resume a Estados Unidos, Reino Unido e Europa) e para quem tem interesse em saber um pouquinho mais sobre a África do Sul.


Livro lido para o projeto Epifanias Continentais, da @epifaniasliterarias_ .


Editora: Dublinense

Tradução: Hilton Lima

Páginas: 160

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Westworld – Um é pouco, dois é bom…

E talvez três seja mesmo demais.

Imagem: HBO Brasil

Westworld é uma série instigante sobre um aparente clichê da ficção científica: inteligências artificiais ganhando consciência e se rebelando contra a horrenda raça humana. É fácil de se identificar com as personagens que vivem neste lugar fictício chamado Westworld que, para eles, é a realidade. Os anfitriões, como são chamadas as inteligências artificiais em formato humano, são reiniciados e têm sua memória apagada a cada vez que são mortos. Os anfitriões, afinal, foram construídos justamente para satisfazer os desejos mais obscuros dos humanos, conhecidos como convidados – transar a torto e a direito, matar, torturar, estuprar. Não há como não torcer para os anfitriões, desejar que eles acabem com essa gente nojenta que se diz real de uma vez por todas. Não há como não se chocar com algumas reviravoltas (ainda que outras sejam bem previsíveis). Não há como chegar ao fim da primeira temporada sem perceber que se está diante de uma produção quase perfeita.

A segunda temporada, apesar de desnecessária, desenvolve um pouco mais os ganchos deixados em alguns episódios da temporada anterior e explica algumas coisas para que o final faça sentido. Não que tudo faça sentido de verdade; há algumas falhas, algumas incongruências e até contradições, mas não precisamos prestar tanta atenção assim. A temporada é boa, mesmo que não tão boa quanto a primeira, e também dá a ideia de que uma conclusão naquele ponto específico seria perfeito.

Se ao menos tivessem pensado na expressão “Um é pouco, dois é bom e três é demais” antes de assinarem contratos! Porque a terceira temporada chega para tirar o trem dos trilhos de vez.

Eu costumo dizer que séries com mais de 5 temporadas têm mais de uma fase, de um ciclo, por assim dizer. Não que depois de 5 temporadas elas não continuem boas, mas o rumo muda e tudo fica muito diferente. Para Westworld, esse momento veio bem antes.

Com um enredo quase completamente diferente das outras temporadas (ainda que explicável, devido ao rumo dado pela segunda temporada), a série fica morna, meio que parecendo que perdeu o propósito. Os quebra-cabeças que tínhamos que montar nas temporadas anteriores não estão ali, os episódios não são mais empolgantes, Dolores (personagem principal) se torna insuportável e até o humano mais terrível de todos – William – se torna um personagem sem sal. Menção honrosa para o episódio com o presidente do Brasil que fala português de Portugal e que tem a mesa posta com frutas em uma reunião de negócios (frutas sobre as quais voam moscas, obviamente, porque é exatamente assim que acontecem as reuniões no Brasil). Tal episódio, aliás, não fez diferença alguma para o restante da história.

Demorei 4 dias para ver o penúltimo episódio porque ele estava sendo melhor do que Clonazepam e melatonina tomados em conjunto para mim. Não aguentava mais e praticamente pulei de alegria quando finalmente cheguei ao episódio final. Depois de assisti-lo, minha reação foi: pelo amor da deusa, alguém acaba com essa série antes que seja tarde demais!

Mas aí descobri que Westworld foi renovada para a 4ª temporada.

Uma série que tinha tudo para dar certo e teria dado, tivessem as pessoas envolvidas sabido a hora de parar.

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O final do livro tem qual impacto na sua impressão sobre ele?

*Contém spoilers do final de Pessoas Normais no último parágrafo*

Terminei Pessoas Normais e uma pergunta antiga me veio à cabeça: por que nos apegamos tanto aos finais? 

Se foi a jornada que nos trouxe até ele, se foi a jornada que nos fez rir, chorar, jogar o livro pela janela (e acertar a pessoa que estava passando e aí temos que levar a pessoa para o hospital e descobrimos que somos almas gêmeas e… do que eu estava falando mesmo? Ah, é, voltemos ao final)… Se são 200 páginas que nos causam emoção, por que jogar o peso todo do livro nas últimas 10?

Reparem que estou usando a primeira pessoa do plural, pois me incluo nisso. (Ainda penso em Tirza, mesmo depois de quase um ano).

É difícil separarmos nossas expectativas da realidade, pois criamos um universo todo novo na mente e, para nós, esse universo é que é real. 

Pergunto, então, o que faz um final ser bom? Um final que atenda às nossas expectativas? Mas aí entra outra questão: livros de mistério nos desapontam quando atendem nossas expectativas. (Razão, aliás, de eu ainda não ter feito as pazes com Agatha Christie).

Qual é a fórmula mágica, então, para um final “perfeito”?

Para mim a resposta é clara: que ele seja coerente com o que foi apresentado na jornada, ou até mesmo com o título. Não, não é bem isso. O final tem de ser coerente com a jornada, com o título, com as personagens e com o sentimento que quem o escreveu quis passar. O final não tem de ser coerente com o leitor. O leitor ainda não existia na equação quando o livro foi finalizado.

Tendo dito tudo isso, o final de Pessoas Normais é, sim, um final perfeito. Não foi perfeito com relação às minhas expectativas, mas foi perfeito por ser totalmente coerente com a história e com sua proposta. Se amei o que Sally Rooney estabeleceu como final? Não. Mas, se formos pensar bem, existem finais conclusivos, com todos os pingos nos i’s, na vida real? 

Portanto, não acho coerente de minha parte dizer que não gostei da leitura por conta de um final totalmente coerente. Connell e Marianne, pessoas extremamente normais que se acham anormais (quem nunca?), por erros e acertos conseguiram se manter vivos graças um ao outro. Amor incondicional? Alguns vão discordar e dizer que estou romantizando relacionamentos tóxicos, mas não vejo dessa forma. Os dois se amaram apesar de todos os defeitos do outro, mesmo quando esses defeitos feriam. Se amaram porque a parte boa de cada um deles valia a pena. No fim das contas, tiveram um final feliz à moda vida real.

Uma resenha completa vai sair lá no meu canal do YouTube em um futuro próximo, enquanto a resenha resumida vai sair lá no meu Instagram, também em algum momento futuro.

Agradeço por ler até aqui e, se tiver algo a comentar, fique à vontade.

Beijos

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Campanha de financiamento coletivo recorrente: o que é e o que não é. (Também conhecido como: meus primeiros meses de experiência com minha própria campanha)

Miniatura de um vídeo do YouTube que, de certa forma, representa meus sentimentos atuais

Hoje decidi falar de algo em que venho pensando há um tempo: a diferença entre caridade e financiamento coletivo recorrente.

Quando comecei minha campanha no Apoia.se, meu medo era justamente que as pessoas achassem que eu estava pedindo dinheiro a elas sem motivo, como se fosse para satisfazer um capricho, para satisfazer vontades minhas, como se eu não estivesse trabalhando para atingir meus objetivos. Existem dois problemas com esses sentimentos e pensamentos:

  1. Nada disso é verdade. A contribuição é por um serviço que presto e pelo qual não cobro nada.
  2. Ao pensar que os outros pensam assim, acabo me desmotivando e, por fim, desvalorizando o que sei fazer (e faço).

O item 2, na verdade, é baseado em fatos. Já recebi alguns comentários que davam a entender que quem me apoiava estava me dando uma espécie de mesada, o que me desanimou bastante.

Venho, então, explicar mais a fundo os motivos da minha campanha (e que podem ser também os motivos de outras campanhas que tenham cobrança mensal):

Quando comecei a produzir conteúdo, era apenas para mim mesma. Queria me motivar a voltar ao meu ritmo de leitura e, se eu mostrasse na Internet, talvez outras pessoas me incentivassem também. Deu bastante certo e encontrei uma comunidade incrível no Instagram. Com o passar dos meses, fui percebendo que uma das minhas paixões na vida é falar sobre livros. Então, por que não fazer disso também uma fonte de renda? O tempo que dedico à produção de conteúdo, afinal, é o mesmo (se não mais) que o que aplico ao meu trabalho remunerado. E, sendo bem sincera, meu trabalho remunerado não me faz mais feliz. Hoje, por exemplo, acordei MORRENDO de vontade de gravar vídeos para o meu canal no YouTube, de trazer curiosidades úteis sobre literatura para o meu Instagram, de ler mais do livro que estou lendo atualmente para produzir uma resenha decente e, talvez, influenciar alguém a lê-lo também. Só que eu não posso fazer isso tudo porque eu tenho dois contratos, no momento, e preciso cumprir prazos. É, eu sei, falei como uma verdadeira privilegiada. Só que, sem esses dois contratos, não tenho como pagar minhas contas. E é isso que, talvez, faça as pessoas pensarem que estão fazendo caridade ao me apoiarem com uma quantia mensal, ainda que ela seja bem pequena. O mero mencionar das minhas contas faz imediatamente as pessoas acharem que eu estou passando fome e que, por isso, estou pedindo dinheiro na Internet. Primeiramente, gostaria de dizer que não estou pedindo dinheiro; o que estou pedindo é: se você gosta do meu conteúdo e acha que ele faz diferença na sua vida, ajude o meu projeto a continuar. E sabe o que “ajude o meu projeto a continuar” significa? Significa que estou pedindo para ter mais tempo para me dedicar a ele. E como tenho mais tempo para me dedicar a ele? Tendo dinheiro para pagar por esse tempo que está sendo dedicado a ele. Simples. Não é esmola, não é caridade, não é ajuda financeira. É contribuição e motivação. Ao me apoiar, você está me dizendo: eu confio no que você faz. Espero que você cresça.

Mas não existe um jeito de te ajudar a crescer de graça?

Sim, alguns. Mas são pouquíssimas as pessoas que fazem isso. Se você não sabe o que me ajuda a crescer, vou pontuar abaixo alguns fatores:

  • quando você compra alguma coisa na Amazon com meu link de associada (eu recebo uma comissão porque a Amazon entende como se eu tivesse te indicado o produto).
  • quando você curte, comenta, compartilha e salva minhas publicações no Instagram. Isso é importante porque, com mais visibilidade, eu tenho mais chances de chegar a alguma empresa que ache interessante me patrocinar pelo conteúdo que produzo. Quem acha importante crescer para ver um monte de número de seguidores e um monte de número de curtidas talvez tenha objetivos diferentes dos meus.

Este segundo item me leva a outro tópico: a escrita. Eu escrevo desde sempre, mas também desde sempre escondi isso. Foi o mundo das fanfics que me mostrou que eu não precisava ficar escondida num armário imaginário, que existia, sim, essa possibilidade de vida para mim. Eu era absolutamente HORRÍVEL quando comecei a escrever e deixar que os outros me lessem, mas eu fui melhorando ao longo do tempo. Dei uma pausa de aproximadamente 10 anos e, nesse meio tempo, voltei a escrever para mim, apenas. Às vezes, até tinha vontade de publicar, mas tinha medo. O medo do julgamento alheio nunca me deixa, como vocês podem perceber. Quando Arquivo X voltou, em 2016, tive coragem de publicar uma fanfic novamente. A resposta de público foi boa o suficiente para me dar motivação para escrever meus próprios personagens novamente, meus próprios poemas, minhas crônicas que talvez só eu entenda. Mas eu ainda tinha medo de que me lessem, pois, afinal, as fanfics pertenciam a um mundo a que nem meus amigos e nem minha família pertenciam. Era um mundo de gente desconhecida que me lia. Foi ao criar meu Instagram que comecei a considerar a hipótese de publicar, aos poucos, o que eu sabia fazer. Só consegui pôr essa ideia em prática em 2020. E se você está lendo tudo isso e pensando como isso se relaciona com o segundo tópico que mencionei, explico: é que, ao ler, curtir, comentar, compartilhar e salvar meus posts com os meus escritos, você talvez me ajude a ter mais visibilidade e, quem sabe, fazer com que meu texto chegue a alguém que veja potencial em mim. Você pode me abrir outras portas e possibilidades, além das portas que eu já tento abrir e das possibilidades em que já penso.

A escrita, aliás, é um dos pontos em que você também me ajuda ao me apoiar. Se eu tiver mais tempo para me dedicar a ela, melhor eu vou ficar. E já falei como consigo ter mais tempo, né? Além disso, se você me apoia com R$ 5 ou mais, você recebe um texto exclusivo escrito por mim todo mês, o que também me ajuda, pois assim exercito cada vez mais minha criatividade.

Minha experiência até o momento com a campanha recorrente tem sido de altos e baixos. Ainda estou “pegando o jeito da coisa”, sentindo o que os meus apoiadores querem e do que eles gostam, testando meios de entregar recompensas e o que agrada mais. Já cheguei a passar dos R$ 200 mensais em apoios, mas perdi alguns e agora estou lutando novamente para chegar aos R$ 200. Dói perder um apoiador? Bastante. Principalmente porque os apoiadores são, tecnicamente, pessoas de quem você é mais próxima. No entanto, é necessário colocar a razão acima de tudo e me lembrar: cada um tem seus motivos, imprevistos e sei lá o que mais. Faz parte.

O ponto mais que positivo é que iniciar esta campanha me ensinou muitas coisas que eu precisava aprender. Além do mais, a campanha tem cada vez mais me aproximado de pessoas queridas, cujo apoio moral e emocional tem sido imprescindível.

Fica aqui, então, meu agradecimento aos meus apoiadores ativos (os que estão com link são as pessoas que têm Instagram literário também):

Sonia, Claudia, Mariana, Priscila, Rafael, Aline, Natália, Amanda N., Thays, Viviane, Fabiana, Raquel, Filipe, Isadora, Luciana, Natasha, Alexandra, Ana, Karina, Hewellyn, Fernando, Ana Lis,
Amanda C., Jalusa, Rebeca, Crisna, Marina, Nádia, Tatiana e Carolina.

Finalizo com duas perguntas que seria muito legal se pudesse responder: o que te faz apoiar o trabalho de alguém? Que tipo de recompensa gosta de receber em troca por sua contribuição?

Beijos.

Publicado em Escrita criativa

Uma mente criativa num mundo capitalista

Foto por OVAN em Pexels.com

“Me dê atenção, me dê atenção! Você tem que escrever sobre isso AGORA! E, já que está me dando atenção, aproveita e grava aquele vídeo, organiza sua vida pra 2021 e põe no papel todas essas ideias que você me deu.”
O trabalho à espera limpa a garganta um pouco alto demais.
“Sabe, eu até entendo que sua mente é criativa e tal, mas… eu não consigo me terminar sozinho. Sei lá, talvez você deva deixar isso pra depois.”
Os pulmões gritam desesperadamente.
“Estamos no nosso limite!! Dá pra soltar o ar, por favor?”
Os olhos se enchem de água enquanto os pulmões se aliviam.
Pudera eu fazer da minha criatividade meu trabalho todos os dias!

Publicado em Resenhas

Solo raso – Sandro Muniz

Esta resenha foi originalmente publicada no meu perfil do Instagram em 24/10/2020.

Pedro é um arqueólogo que passou por uma situação traumática em um dos campos em que colhia materiais e, por isso, é enviado para trabalhar em outro estado (e, ao mesmo tempo, secretamente tentar impedir que uma ilha seja desmantelada em prol do capitalismo). ⁣
Só que o que era para ser apenas um trabalho para ajudá-lo a se recuperar de um trauma passa a ser uma investigação clandestina sobre o desaparecimento misterioso de mulheres, campos minados, padres que não são padres e sobre as verdades históricas contidas nesta ilha esquecida Brasil adentro.⁣

Com capítulos alternados entre personagens principais e coadjuvantes, Sandro Muniz vai criando uma atmosfera que não sabemos exatamente como definir, mas que constrói a história de maneira singular. O autor chega até a fazer experimentos muito interessantes em determinados capítulos, o que dá uma aura ainda mais peculiar à obra. A temática em si é outro ponto de destaque, pois gera reflexões acerca das realidades a que estamos acostumados e sobre as bolhas que, inevitavelmente, acabamos colocando ao nosso redor. ⁣

“Como o sapo, que é colocado na panela ainda fria no fogo, morre porque não percebe que a água ferveu, as pessoas são acostumadas com o vil e as barbaridades do dia a dia em que estão inseridas. São violentadas em silêncio, vivem morte e injustiças todos os dias e passam por isso como se tomassem banho ou comessem. É a institucionalização do antiético. É ingenuidade desejar que aqueles que dominam favoreçam um modo de educar que proporcione aos menos favorecidos perceber as injustiças sociais de maneira crítica, isso acabaria com a dominação dos ricos.”⁣

Além de todos os argumentos acima, a trama, apesar de ser ficcional, tem alguns pontos baseados em fatos (que eu desconhecia, aliás). Definitivamente original e bem pensado!⁣

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