Publicado em Outros textos

O que aprendi escrevendo

Livro inspirador sobre o ato da escrita e ser escritora

John Green vive dizendo que os livros são dos leitores e, até certo ponto, concordo. A partir do momento em que as palavras de um escritor são lidas, a história passa a ser um diálogo entre o mundo imaginário do autor e o mundo imaginário do leitor. É uma conexão sem igual que acontece no momento em que nos transportamos para as páginas e esquecemos o mundo real por alguns momentos – o clichê (que sempre me faz virar os olhos) do “viajar sem sair do lugar”. No momento em que nos identificamos com algumas personagens e queremos matar outras é que achamos que a história é nossa, que fazemos parte dela tanto quanto ela já faz parte da nossa história. Mas, com toda essa conversa e identificação que uma história pode gerar, o leitor acaba esquecendo de um detalhe: o que se passa na cabeça dele é diferente do que se passa na cabeça de quem criou as personagens e os enredos. Por mais óbvio que isso possa parecer, na prática são pouquíssimas pessoas que não querem mudar um final, que não querem que casal X termine a história juntos porque não faz sentido as coisas acontecerem como acontecem na vida real, que não dizem que teriam escrito a história de outra maneira.

Na prática, eu sempre fui esse tipo de leitora.

Na prática, em total contradição ao que eu era como leitora, também ficava irritada quando surgiam comentários questionando minhas escolhas para o rumo de uma história que eu escrevia, ainda que minhas histórias fossem baseadas no que de fato aconteceu em determinada série. Porque comentários assim, para mim, era o mesmo que dizer: eu teria feito melhor. Ou ainda: a vida real já tem muito sofrimento. Prefiro ler histórias felizes e completamente fora da realidade.

E foi então que eu passei a analisar as histórias que eu lia com os olhos de quem as escreveu quando algo não me agradava. Passei a me lembrar de que as personagens não eram minhas, o universo não era meu, que a imaginação só era compartilhada até determinado momento. Passei a respeitar mais as escolhas dos autores, mesmo que a história tomasse um rumo completamente diferente do que eu gostaria que ela tomasse. Escrevendo, aprendi a ser uma leitora melhor. Escrevendo, aprendi a ter mais empatia.

Não, isso não quer dizer que eu goste de absolutamente tudo e que não fale mal de algumas obras (quem me acompanha no Instagram sabe que há MUITAS coisas das quais não gosto e das quais preferiria passar longe), mas acredito que talvez eu não teria tido essa percepção toda se não tivesse um dia tido coragem de publicar minhas palavras em algum lugar para que as pessoas lessem.

E é por isso que estou criando este blog. Escrevo como parte de quem sou, mas também como parte do que quero ser. Quando escrevo e guardo para mim, apenas ponho o abstrato no concreto; quando escrevo e compartilho, o concreto se transforma em evolução.

Obrigada por lerem até aqui e, se quiserem continuar acompanhando meu vômito cerebral, ficarei muito feliz. =)

Beijinhos


Para aqueles que ficaram interessados no livro da foto, ele pode ser adquirido aqui.

Autor:

Leitora assídua, tradutora, intérprete (sim, são duas coisas diferentes), bookstagrammer, escritora em construção. Hipérbole é meu nome do meio.

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