Publicado em Resenhas

Limites da Fundação (e a falta de limites de uma leitora)

Se você nunca leu nenhuma obra de Isaac Asimov, a única coisa que tenho a dizer é que é um caminho sem volta. Exemplifico esta afirmação com a minha própria saga com a saga da Fundação: no começo achei confuso, não tão fluído, um livro que se assemelhava mais a um livro de História (mesmo que de um universo fictício) do que o que eu chamaria de ficção científica. Porém, se me perguntarem qual foi a melhor decisão que tomei em 2019, direi sem titubear: ter me forçado a terminar a trilogia. A história vai se transformando, vai entrando nos eixos e, quando você vê, está totalmente imerso no mundo de Asimov de um jeito irreversível. Apenas a título de exemplo, também, eu deveria ter terminado agora o último livro da trilogia, de acordo com o cronograma da leitura coletiva, mas estou aqui, já escrevendo resenha sobre o livro que dá continuidade à trilogia. O mundo dá voltas, não é mesmo?

Para quem não conhece nada sobre a trilogia da Fundação, vou resumir rapidamente o enredo: um matemático, por meio de uma nova disciplina chamada psico-história, prevê que o Império da maneira que todos conhecem vai deixar de existir, mas que é possível fazer tudo voltar aos eixos em apenas um milênio (em comparação aos 30 milênios que demoraria sem sua ajuda). A trilogia, então, nos leva a conhecer as primeiras centenas de anos desde a criação deste plano rumo à construção do Segundo Império, nos apresentando os possíveis desvios de tal plano, o risco de ele não acontecer conforme previsto e, até mesmo, falhar.

Apesar de a trilogia ter um final, é um final daqueles com margem para continuação. Asimov, então, se sentiu inspirado para que essa continuação acontecesse e, muitos anos depois, nos presenteou com Limites da Fundação. Limites da Fundação é um livro que continua a história a partir dos pontos de vista de membros da Segunda Fundação, membros da Fundação e um determinado outro grupo que, até então, não havia aparecido na história.

É um livro eletrizante, com várias críticas sociais, que nos faz analisar o comportamento humano, além de questionar se algumas evoluções poderiam mesmo ser consideradas evoluções ou regressões. A trama toda me fez lembrar várias obras televisivas e cinematográficas que amo em diversos momentos e por diversos motivos (algumas, inclusive, realmente foram inspiradas na obra de Asimov). A parte mais curiosa disso tudo é que uma das séries que ficou na minha cabeça durante toda a leitura – Battlestar Galactica – não agradou Asimov nem um pouco em sua primeira versão, de 1978. Segundo ele, Battlestar Galactica era tão parecida com Star Wars que ele não conseguiria gostar sem antes ter amnésia*. Queria que Asimov tivesse vivido um pouco mais para ver a versão de 2004-2009 (a que ficou na minha cabeça o tempo todo)!

E por falar em Battlestar Galactica, para quem leu a saga dos robôs, o autor faz ligações com aquele universo de maneira majestosa, tanto que a leitora sem limites aqui já colocou todos os livros da saga na lista para ler em 2020. Aliás, não é apenas a saga dos robôs que faz uma aparição, como também um livro que todos sempre me indicam dele: O fim da eternidade. Foi para a lista de 2020 também? Sim ou com certeza? (Estou vendo que vai faltar ano para tanto livro. Já disse que não tenho limites?)

Por fim, não sou Hari Seldon, mas tenho certeza que estarão falando de Isaac Asimov e de toda a sua obra mesmo daqui a vários milênios. O escritor não é imortal, mas sua obra é. ♥


*Parafraseei em tradução livre o que foi dito pelo autor. Fonte: https://screenrant.com/battlestar-galactica-tv-show-movie-trivia-facts/


Para quem ficou interessado em adquirir Limites da Fundação, ele pode ser encontrado aqui.

Autor:

Leitora assídua, tradutora, intérprete (sim, são duas coisas diferentes), bookstagrammer, escritora em construção. Hipérbole é meu nome do meio.

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