A bússola de ouro – Philip Pullman

Ver a Aurora Boreal é um daqueles sonhos antigos, tão fixos na mente que às vezes parece que só em fantasia seria capaz de realizá-lo. De certa forma, a fantasia de A bússola de ouro trouxe as auroras boreais para um pouco mais perto de mim enquanto não posso vê-las pessoalmente.

No livro, conhecemos Lyra, uma criança contadora de histórias nata que vive, mantida por seu tio que é seu único parente vivo, em uma universidade em Oxford. Lyra também sonha em um dia ir para o norte, acompanhar seu tio em uma de suas tão importantes missões, mas mal sabe ela o que a vida lhe reserva. Enquanto está segura com seu daemon (criatura que o leitor entende com mais detalhes no decorrer da história) do lado de dentro dos portões de Jordan, crianças começam a desaparecer. Mas será que ela está segura mesmo? Começa, então, a aventura de Lyra, com direito a ursos-intérpretes, feiticeiras que voam e muito mais de um universo criativamente fantástico.

Além de entreter muito bem o leitor, o livro também traz alguns ensinamentos e reflexões que, apesar de parecerem mais para um público infantil/adolescente, podem deixar adultos tão pensativos quanto seu público alvo.

Com esta obra, Philip Pullman prova que não é necessário escrever 275445 páginas para se escrever uma ótima fantasia. O único ponto negativo para mim, na verdade, nada tem a ver com o livro; tendo assistido ao filme há muitos anos, algumas cenas ficaram gravadas na minha mente e alguns pontos de clímax não tiveram efeito em mim justamente por saber o que iria acontecer. Portanto, se você não viu o filme, tente não vê-lo antes de ler!

Finalizo esta resenha com o trecho que me fez realizar meu sonho por meio das páginas deste livro, tornando-o real pelo menos por alguns momentos:

“Como se vindas do próprio paraíso, grandes cortinas de delicada luz pendiam e estremeciam. Com seus tons de verde-claro e rosa, transparentes como a renda mais fina, e tendo como bainha uma faixa de um vermelho profundo e gritante como as chamas do inferno, elas balançavam e cintilavam com mais graça do que a mais graciosa bailarina. Lyra chegou a pensar que as escutava: um sussurro intenso e distante. No meio daquela delicadeza evanescente, ela experimentou uma emoção tão profunda como a que havia sentido quando estava perto do urso. Aquilo a comovia, era muito lindo, quase sagrado; sentiu lágrimas nos olhos, e as lágrimas dividiram ainda mais a luz em arco-íris prismáticos.”

A bússola de ouro é o primeiro livro da trilogia Fronteiras do Universo, publicado no Brasil pela Companhia das Letras sob o selo Suma de Letras e traduzido por Eliana Sabino. Agradeço à editora pela cópia digital fornecida através do NetGalley. Quem tiver interesse em ler, ele pode ser encontrado aqui.