Informação de menos é prejudicial, mas… e informação demais?

Parede no Parque Olímpico de Londres

Ontem tive um surto. Meu cérebro parecia que ia explodir. Mensagens no WhatsApp sobre o Covid-19, mensagens na minha cabeça sobre a melhor forma de gerenciar um grupo de discussão sobre Virginia Woolf que, de repente, havia mudado de foco – e fazer isso sem magoar ninguém, claro. Tarefa impossível, descobri tarde demais. Os jornais na TV que só falam sobre o novo coronavírus 24 horas por dia (será que de repente o Brasil se tornou um país modelo em que nada de errado acontece? Será que não acontece mais nada de bom por aqui também?). Amigos de outros lugares do mundo que desabam em mim sobre seus pânicos e medos de morrer porque, sendo eu extremamente empática, ouço da melhor forma e não digo a eles que isso está me fazendo mal, que o pânico deles está se transformando no meu, mesmo eu tendo jurado para mim mesma que não entraria em pânico. Toneladas de posts no Instagram sobre o que fazer em tempos de quarentena, mensagens motivacionais que, no fim das contas, estavam me fazendo acreditar que, se eu sentisse qualquer coisa além de esperança, estaria indo na contramão e não seria aceita em qualquer mundo que fosse. Sou culpada disso também, também contribuí para essa enxurrada de posts com a melhor das intenções. Mas também me lembrei que de boas intenções o inferno está cheio. Veio então a reflexão: será que, ao compartilharmos na tentativa de ajudar, não estamos, na verdade, atrapalhando?

Decidi, então, desligar meu celular por 24 horas (no mínimo). Afinal de contas, eu sobrevivi sem celular até os 15 anos de idade; sem redes sociais, então, até meados de 2004. Para quem não conheceu os tempos felizes antes da Internet, talvez isso seja algo inconcebível, inimaginável, impossível. Mas, para mim, foi um alívio.

Parece que bastou desligar o celular para que a minha vontade de ler voltasse (porque antes eu estava com a impressão de que estava lendo apenas para produzir conteúdo, em vez de ler porque eu QUERIA ler. E pensando pelo lado de que o meu conteúdo é consumido por pouquíssimas pessoas e que fico cada dia mais desanimada com a falta de interesse de muita gente sobre o que tenho a dizer, produzir conteúdo ou não faria um total de 0 diferença para o mundo); bastou desligar o celular para que a minha vontade de maratonar uma série nova sem ter de compartilhar com o mundo voltasse; bastou desligar o celular para que a minha vontade de escrever e compartilhar meus escritos sem imediatamente me comparar a outras pessoas (e me achar um lixo) voltasse.

O que quero dizer com tudo isso é que o excesso de informações pode sim ser prejudicial. Pode levar pessoas a sentirem coisas que não querem sentir, pode levar à desistência de algo que as faz feliz, pode levar a um surto baseado em eu-não-entendo-o-porquê-de-estar-viva-neste-momento-específico-da-história.

Se você se identificou com algum dos meus relatos, fica aqui minha recomendação: desligue o celular, as notícias, as vozes ao redor que se tornaram monotemáticas. Não precisa fazer isso para sempre, é lógico, mesmo porque o que eu disse na primeira parte do título deste post é verdadeiro. Mas, às vezes, tudo o que precisamos é de silêncio mundial. E de paz interior.

6 comentários

  1. Minha flor, te entendo totalmente! Eu tbm não estiva na vibe de fazer nada. Tudo que está acontecendo é bem triste e bem opressor… Eu agora só estou me deixando levar e seja o que tiver que ser.
    Quanto ao seu conteúdo, bobo daquele que não participa. Eu estou em falta em vários posts, mas as vezes vejo correndo as publicações e não paro para comentar! Me desculpe! Irei dar mais atenção!! Já espero sua volta!! Bjoooos

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    1. ♥️♥️♥️ Por enquanto estou tentando me focar em outras coisas que não esse maldito vírus. Sejam informações boas ou ruins, parece que o mundo se alienou sem chances de retorno. E não tem que se desculpar, mesmo. Cada um tem sua vida e suas preocupações e eu tenho que entender isso também. Acho só que eu cheguei num ponto em que me questiono se qualquer coisa que seja vale a pena. Enfim, vamos levando do jeito que dá, né? Obrigada demais por ler, viu? ❤ Beijos

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  2. Oi Nane! Entendo bem o que você está sentindo, eu cheguei a ter febre no fim de semana por puro stress, e olha que sempre fui isoladinha e minha vida não mudou nada com as novas restrições. Mas eu acho que meu problema é mais crônico, sempre tive esses momentos de “não sirvo pra nada” e sei que eles vão continuar existindo depois que o mundo voltar a girar como antes.
    Mas olha, também estou tentando escapar dessa loucura, me informando só o necessário e, embora eu apoie sua decisão de se desconectar mais (também estou precisando fazer isso, na real), se quiser bater um papo sobre qualquer outra coisa aleatória, estamos aí 😉
    Beijos!

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    1. Obrigada, lindona ♥️. Eu acho que o nosso problema é igual, viu? (Se você também tem TAG e depressão, estamos juntas!). Tão difícil a gente se encaixar nesse mundo doido, né? Mas a gente vai seguindo como pode e tentando fazer algum sentido dessa existência que parece ser tão aleatória que não dá nem para entender. Já que escolhemos ser o espermatozóide vencedor, que continuemos pelo menos a nadar.

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