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Memórias não são só memórias

Gillian Anderson sendo a pessoa mais incrível deste planeta

Sou uma pessoa nostálgica por natureza, isso é fato. Vivo mais de passado do que de presente porque, de certa forma, são as memórias que me levam adiante, que colocam meus pés no chão e que fazem com que eu deseje ter um futuro onde outras memórias tão felizes quanto as que já aconteceram sejam criadas e permaneçam em mim. Logo, não é surpresa nenhuma que 7 de abril seja um dia especial para mim.

Sabe, eu tenho uma história com uma série de TV sobre uma cientista/médica/agente do FBI que recebe a tarefa de observar o trabalho de um colega que acredita em homenzinhos verdes cinzas e que gasta o dinheiro do governo em busca da verdade que escondem dele e do público em geral. O que acontece é que, no momento em que Dana Scully entrou no escritório de Fox Mulder pela primeira vez, Gillian Anderson entrou na minha vida. Ela me deu amigos. Me deu sonhos. Me impulsionou a sair da minha zona de conforto e marasmo sem nem mesmo saber. Não, não é exagero dizer que Gillian Anderson mudou minha vida.

Nesses dias em que um futuro não parece existir, eu me agarro ainda mais forte às memórias de tudo o que 2018 me trouxe, e mais forte ainda a essas memórias que são até que bem expressadas pela foto acima.

Olá! Sorriso. Olhos azuis tão profundos que eu queria que ela me olhasse para sempre. Acho que eu não vi essa versão desse livro ainda. De onde é?

Até hoje não sei como exatamente eu disse pra ela que era do Brasil. Também não me lembro muito da conversa que se seguiu, só me lembro claramemte de ela pedir que eu assinasse a plaquinha de autógrafos dela e fez questão de reforçar quando viu que eu havia esquecido para que eu não saísse dali sem deixar meu país registrado ali. Enquanto meu “Brazil” ficou parecendo “Brazel”, o autógrafo dela pegou a página inteira do meu livro.

Eu tremia de felicidade. Mas a felicidade não vinha apenas do fato de ter encontrado aquela pessoa que fazia parte da minha vida desde os 8 anos de idade e constatar que era real, mas também do fato de eu constatar que eu tinha feito uma coisa louca, seguindo meus impulsos e meus instintos, sem medo do amanhã. Pela primeira vez em muito, muito tempo, eu estava no presente.

Eu continuei no presente quando saí da fila do autógrafo para ir para a fila da foto e mais no presente ainda quando pedi que ela fizesse careta para a minha foto. Ela perguntou que tipo de careta e eu disse que qualquer coisa que ela pudesse pensar. Ela me ignorou e virou para a câmera. Fiz careta mesmo assim e me senti meio idiota, mas mais valia uma foto engraçada do que aquela foto padrão que ela sempre tira com todo mundo. A minha foto demorou um pouco a ser impressa, é lógico. É sempre com as pessoas mais ansiosas que isso acontece. Quando a moça responsável por pegar a foto e colocá-la no saquinho finalmente pegou a minha foto, a gargalhada que ela soltou me disse que tinha algo, no mínimo, estranho com a minha foto. Enquanto eu achava que Gillian me ignorava, ela se preparava para fazer a cara que é a essência dela, como ela mesma costuma dizer.

Depois de mim, ninguém conseguiu foto com pose nenhuma. Acho que foi naquele dia que eu comecei a ser odiada por algumas pessoas do fandom, mas não importa. Quem é o fandom quando se tem a rainha prestando atenção em você?

São tantos os relatos desse fim de semana em Gante que, se eu for contar todos eles, não haverá leitores no fim. Resumindo, apareci no principal telejornal da Bélgica sem saber; fiz uma pergunta no painel de sábado; minha tatuagem quase saiu “lonliness is a choice” em vez de “loneliness is a choice” (e este papel está enquadrado porque é especial demais); e, a parte mais especial de todas: no domingo, Gillian obrigou o mediador do painel a me dar o microfone quando ele disse que não havia mais tempo para perguntas porque ela praticamente passou o painel inteiro rindo da minha cara porque eu levantava a mão e o moço me via e me ignorava (os belgas deviam estar pensando: quem essa brasileira acha que é pra vir aqui e todo mundo desse lugar conhecê-la do dia para a noite?).

Estou só contando tudo isso para o vazio que é a internet porque pensar nesses tempos me acalma. Pensar na felicidade me acalma. Até pensar em todas as dívidas que contraí decorrentes dessa viagem me acalmam, apesar de na época não ter sido nem um pouco legal.

Acho que a vida é isso mesmo: criar memórias para continuar a viver; passar por perrengues para aprender a desenvolver resiliência; voltar a criar memórias e perrengues e depois rir de todos eles.

Que haja mais dias como esse no meu futuro. No nosso futuro.

Autor:

Leitora assídua, tradutora, intérprete (sim, são duas coisas diferentes), bookstagrammer, escritora em construção. Hipérbole é meu nome do meio.

6 comentários em “Memórias não são só memórias

  1. Agora sei de qual série antiga você falou que estava assistindo e entendo por que ela te faz tão bem nesses dias incertos. Amei o post, mesmo sem nunca ter visto Arquivo X. Eu só vi a atriz na série Hannibal, muito boa por sinal.
    Fique bem! Beijos.

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  2. Que história incrível! Só consigo imaginar o quanto deve ser emocionante ser reconhecido pelo seu ídolo e perceber que ele, no caso ela, é mesmo uma pessoa maravilhosa, enquanto tem tanta gente que deixa a fama subir à cabeça por aí!
    Fico muito feliz por você ter vivido essa experiência fantástica e compartilhar aqui com a gente! ❤

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  3. Guriiiiia, resolvi explorar seu blog hoje pq estou com ressaca de escritos (T_T) e ameiiiiiii esse texto! Não entendo nada de Arquivo X, mas me senti imersa nessa experiência, só imaginando como ela deve ter sido legal! Obrigadaa por trazer um momento de alegria na minha noite (em que vou tentar escrever OUTRA VEZ). bjo!

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    1. Que coisa mais linda de comentário, Nathi! Fico feliz demais que ele tenha te causado isso. Experiências como essa explodem de mim, às vezes. Obrigada por comentar e vai fundo na escrita que VAI DAR CERTO!

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