A arte do movimento

Às vezes acordamos mesmo desanimados com a vida. Não queremos fazer nada, os projetos que temos parecem, de repente, ter ficado idiotas demais, inúteis demais, ridículos demais. Tem dias em que não queremos sair da cama (se estiver frio, então, aproveitamos até a desculpa de que a gata não quer sair da cama e, por isso, não podemos abrir a escrivaninha para começar a colocar os projetos em prática). É tudo muito confortável. E aí nos sentimos ansiosos, pensando nos rumos que estamos dando para nossa vida, no quanto poderíamos estar fazendo e não estamos. Estamos à beira de um ataque de pânico quando nosso cérebro, este órgão magnífico e precioso, começa a funcionar sozinho. O cérebro sabe o que precisa fazer para nos tirar daquela sensação de marasmo que foi criada exclusivamente pela mente. Sim, a mente controla o cérebro, mas, na minha experiência, nem sempre.

Então nos levantamos, arrumamos a cama, nos trocamos, abrimos a escrivaninha. Automaticamente, pegamos nosso instrumento de trabalho, mas o intuito ainda não é trabalhar. É sábado, dizemos. Hoje é dia de descanso. Abrimos o link daquele painel online daquela Comic Con online que conseguiu se adaptar muito bem aos tempos do novo normal, assistimos, rimos, fechamos o site. Só que, depois, em vez de clicarmos no menu iniciar e depois em desligar, nos pegamos abrindo nosso e-mail, nos lembrando de que quanto antes o trabalho for entregue, melhor. E, realmente, o alívio que nos dá ao clicarmos em “enviar” é quase uma puxada de ar bem funda. É revigorante. Então, lembramos daquele e-mail que prometemos enviar para as amigas e, de lá, lembramos do projeto desafiador no qual estamos trabalhando há meses. E, de repente, ele não parece tão desafiador quanto era quando acordamos. De repente, ele ganhou uma proporção tão positiva que a única coisa que queremos fazer é trabalhar nele. E é aí que percebemos a importância de simplesmente nos movimentarmos, literalmente falando. Ao nos movermos, algum tipo de mágica que provavelmente é explicada pela ciência acontece e faz com que realizemos tudo aquilo que vai ser bom para nós de uma forma não tão consciente. E mesmo que ao acordar tenhamos sentido a inutilidade da vida pesando sobre nós, entendemos que a melhor forma de fazer o que temos em mente é simplesmente começar de algum lugar. Eu hoje comecei me levantando.

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