Dias cinzentos

Foto por Dylan Thompson em Pexels.com

Dias cinzentos; os mais difíceis de todos.

Tecnicamente, nada muda; a rotina é a mesma.

Acordar, tomar café, trabalhar; um cinza daqueles que não sabe se quer ser claro ou escuro.

O cinza lá fora; o cinza aqui dentro.

Tomada por SAD; mas não necessariamente tristeza.

Só o desejo de que haja sol; de que o mundo volte a ser o que era.

Sonho com aglomerações, com um mundo sem máscaras; um mundo com risadas visíveis.

É difícil ver através do cinza que encobre a humanidade; um cinza fascista.

Fascista; machista.

Agora existe estupro culposo; somos culpadas de tudo, afinal.

Sociedade feudal; patriarcal.

E ainda me pedem para ver o copo meio-cheio; cheio de ódio, só se for.

Não dá para ver o sol se pôr; nem dá para ver o amor.

Que versos ridículos; queria tê-los guardado dentro de mim.

Mas se eu guardar, explodo; explosões nunca são boas.

Melhor que sejam palavras-bomba; bomba de tão ruins, mas quem se importa?

Desde que não sejam bombas em forma de balas; ora em Viena, toda hora no Rio.

Olha a hora, já é quase noite; já dura mais de um século.

E nós aqui, na esperança de dias melhores; acreditamos em histórias da carochinha.

Melhor fechar a janela para não ver mais o cinza; não deixar o de fora entrar.

Mas, antes, um misto de laranja e lilás; uma promessa.

O sorriso dura poucos segundos, mas pelo menos existiu.

Ele existiu; eu existo.

Existirei.

Persistirei.

Amanhecerei.

Sobreviverei aos dias cinzentos.

6 comentários

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s