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Campanha de financiamento coletivo recorrente: o que é e o que não é. (Também conhecido como: meus primeiros meses de experiência com minha própria campanha)

Miniatura de um vídeo do YouTube que, de certa forma, representa meus sentimentos atuais

Hoje decidi falar de algo em que venho pensando há um tempo: a diferença entre caridade e financiamento coletivo recorrente.

Quando comecei minha campanha no Apoia.se, meu medo era justamente que as pessoas achassem que eu estava pedindo dinheiro a elas sem motivo, como se fosse para satisfazer um capricho, para satisfazer vontades minhas, como se eu não estivesse trabalhando para atingir meus objetivos. Existem dois problemas com esses sentimentos e pensamentos:

  1. Nada disso é verdade. A contribuição é por um serviço que presto e pelo qual não cobro nada.
  2. Ao pensar que os outros pensam assim, acabo me desmotivando e, por fim, desvalorizando o que sei fazer (e faço).

O item 2, na verdade, é baseado em fatos. Já recebi alguns comentários que davam a entender que quem me apoiava estava me dando uma espécie de mesada, o que me desanimou bastante.

Venho, então, explicar mais a fundo os motivos da minha campanha (e que podem ser também os motivos de outras campanhas que tenham cobrança mensal):

Quando comecei a produzir conteúdo, era apenas para mim mesma. Queria me motivar a voltar ao meu ritmo de leitura e, se eu mostrasse na Internet, talvez outras pessoas me incentivassem também. Deu bastante certo e encontrei uma comunidade incrível no Instagram. Com o passar dos meses, fui percebendo que uma das minhas paixões na vida é falar sobre livros. Então, por que não fazer disso também uma fonte de renda? O tempo que dedico à produção de conteúdo, afinal, é o mesmo (se não mais) que o que aplico ao meu trabalho remunerado. E, sendo bem sincera, meu trabalho remunerado não me faz mais feliz. Hoje, por exemplo, acordei MORRENDO de vontade de gravar vídeos para o meu canal no YouTube, de trazer curiosidades úteis sobre literatura para o meu Instagram, de ler mais do livro que estou lendo atualmente para produzir uma resenha decente e, talvez, influenciar alguém a lê-lo também. Só que eu não posso fazer isso tudo porque eu tenho dois contratos, no momento, e preciso cumprir prazos. É, eu sei, falei como uma verdadeira privilegiada. Só que, sem esses dois contratos, não tenho como pagar minhas contas. E é isso que, talvez, faça as pessoas pensarem que estão fazendo caridade ao me apoiarem com uma quantia mensal, ainda que ela seja bem pequena. O mero mencionar das minhas contas faz imediatamente as pessoas acharem que eu estou passando fome e que, por isso, estou pedindo dinheiro na Internet. Primeiramente, gostaria de dizer que não estou pedindo dinheiro; o que estou pedindo é: se você gosta do meu conteúdo e acha que ele faz diferença na sua vida, ajude o meu projeto a continuar. E sabe o que “ajude o meu projeto a continuar” significa? Significa que estou pedindo para ter mais tempo para me dedicar a ele. E como tenho mais tempo para me dedicar a ele? Tendo dinheiro para pagar por esse tempo que está sendo dedicado a ele. Simples. Não é esmola, não é caridade, não é ajuda financeira. É contribuição e motivação. Ao me apoiar, você está me dizendo: eu confio no que você faz. Espero que você cresça.

Mas não existe um jeito de te ajudar a crescer de graça?

Sim, alguns. Mas são pouquíssimas as pessoas que fazem isso. Se você não sabe o que me ajuda a crescer, vou pontuar abaixo alguns fatores:

  • quando você compra alguma coisa na Amazon com meu link de associada (eu recebo uma comissão porque a Amazon entende como se eu tivesse te indicado o produto).
  • quando você curte, comenta, compartilha e salva minhas publicações no Instagram. Isso é importante porque, com mais visibilidade, eu tenho mais chances de chegar a alguma empresa que ache interessante me patrocinar pelo conteúdo que produzo. Quem acha importante crescer para ver um monte de número de seguidores e um monte de número de curtidas talvez tenha objetivos diferentes dos meus.

Este segundo item me leva a outro tópico: a escrita. Eu escrevo desde sempre, mas também desde sempre escondi isso. Foi o mundo das fanfics que me mostrou que eu não precisava ficar escondida num armário imaginário, que existia, sim, essa possibilidade de vida para mim. Eu era absolutamente HORRÍVEL quando comecei a escrever e deixar que os outros me lessem, mas eu fui melhorando ao longo do tempo. Dei uma pausa de aproximadamente 10 anos e, nesse meio tempo, voltei a escrever para mim, apenas. Às vezes, até tinha vontade de publicar, mas tinha medo. O medo do julgamento alheio nunca me deixa, como vocês podem perceber. Quando Arquivo X voltou, em 2016, tive coragem de publicar uma fanfic novamente. A resposta de público foi boa o suficiente para me dar motivação para escrever meus próprios personagens novamente, meus próprios poemas, minhas crônicas que talvez só eu entenda. Mas eu ainda tinha medo de que me lessem, pois, afinal, as fanfics pertenciam a um mundo a que nem meus amigos e nem minha família pertenciam. Era um mundo de gente desconhecida que me lia. Foi ao criar meu Instagram que comecei a considerar a hipótese de publicar, aos poucos, o que eu sabia fazer. Só consegui pôr essa ideia em prática em 2020. E se você está lendo tudo isso e pensando como isso se relaciona com o segundo tópico que mencionei, explico: é que, ao ler, curtir, comentar, compartilhar e salvar meus posts com os meus escritos, você talvez me ajude a ter mais visibilidade e, quem sabe, fazer com que meu texto chegue a alguém que veja potencial em mim. Você pode me abrir outras portas e possibilidades, além das portas que eu já tento abrir e das possibilidades em que já penso.

A escrita, aliás, é um dos pontos em que você também me ajuda ao me apoiar. Se eu tiver mais tempo para me dedicar a ela, melhor eu vou ficar. E já falei como consigo ter mais tempo, né? Além disso, se você me apoia com R$ 5 ou mais, você recebe um texto exclusivo escrito por mim todo mês, o que também me ajuda, pois assim exercito cada vez mais minha criatividade.

Minha experiência até o momento com a campanha recorrente tem sido de altos e baixos. Ainda estou “pegando o jeito da coisa”, sentindo o que os meus apoiadores querem e do que eles gostam, testando meios de entregar recompensas e o que agrada mais. Já cheguei a passar dos R$ 200 mensais em apoios, mas perdi alguns e agora estou lutando novamente para chegar aos R$ 200. Dói perder um apoiador? Bastante. Principalmente porque os apoiadores são, tecnicamente, pessoas de quem você é mais próxima. No entanto, é necessário colocar a razão acima de tudo e me lembrar: cada um tem seus motivos, imprevistos e sei lá o que mais. Faz parte.

O ponto mais que positivo é que iniciar esta campanha me ensinou muitas coisas que eu precisava aprender. Além do mais, a campanha tem cada vez mais me aproximado de pessoas queridas, cujo apoio moral e emocional tem sido imprescindível.

Fica aqui, então, meu agradecimento aos meus apoiadores ativos (os que estão com link são as pessoas que têm Instagram literário também):

Sonia, Claudia, Mariana, Priscila, Rafael, Aline, Natália, Amanda N., Thays, Viviane, Fabiana, Raquel, Filipe, Isadora, Luciana, Natasha, Alexandra, Ana, Karina, Hewellyn, Fernando, Ana Lis,
Amanda C., Jalusa, Rebeca, Crisna, Marina, Nádia, Tatiana e Carolina.

Finalizo com duas perguntas que seria muito legal se pudesse responder: o que te faz apoiar o trabalho de alguém? Que tipo de recompensa gosta de receber em troca por sua contribuição?

Beijos.

Autor:

Leitora assídua, tradutora, intérprete (sim, são duas coisas diferentes), bookstagrammer, escritora em construção. Hipérbole é meu nome do meio.

2 comentários em “Campanha de financiamento coletivo recorrente: o que é e o que não é. (Também conhecido como: meus primeiros meses de experiência com minha própria campanha)

    1. Fatão, Gio! Eu tenho me questionado muito sobre a minha qualidade e meus pontos de melhoria, sabe? Talvez seja esse o problema real. Sou muito grata por aqueles que acreditam no meu trabalho a ponto de me apoiar. Eles é que me ajudam a seguir em frente. Obrigada pelo comentário ♥️.

      Curtido por 1 pessoa

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