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O final do livro tem qual impacto na sua impressão sobre ele?

*Contém spoilers do final de Pessoas Normais no último parágrafo*

Terminei Pessoas Normais e uma pergunta antiga me veio à cabeça: por que nos apegamos tanto aos finais? 

Se foi a jornada que nos trouxe até ele, se foi a jornada que nos fez rir, chorar, jogar o livro pela janela (e acertar a pessoa que estava passando e aí temos que levar a pessoa para o hospital e descobrimos que somos almas gêmeas e… do que eu estava falando mesmo? Ah, é, voltemos ao final)… Se são 200 páginas que nos causam emoção, por que jogar o peso todo do livro nas últimas 10?

Reparem que estou usando a primeira pessoa do plural, pois me incluo nisso. (Ainda penso em Tirza, mesmo depois de quase um ano).

É difícil separarmos nossas expectativas da realidade, pois criamos um universo todo novo na mente e, para nós, esse universo é que é real. 

Pergunto, então, o que faz um final ser bom? Um final que atenda às nossas expectativas? Mas aí entra outra questão: livros de mistério nos desapontam quando atendem nossas expectativas. (Razão, aliás, de eu ainda não ter feito as pazes com Agatha Christie).

Qual é a fórmula mágica, então, para um final “perfeito”?

Para mim a resposta é clara: que ele seja coerente com o que foi apresentado na jornada, ou até mesmo com o título. Não, não é bem isso. O final tem de ser coerente com a jornada, com o título, com as personagens e com o sentimento que quem o escreveu quis passar. O final não tem de ser coerente com o leitor. O leitor ainda não existia na equação quando o livro foi finalizado.

Tendo dito tudo isso, o final de Pessoas Normais é, sim, um final perfeito. Não foi perfeito com relação às minhas expectativas, mas foi perfeito por ser totalmente coerente com a história e com sua proposta. Se amei o que Sally Rooney estabeleceu como final? Não. Mas, se formos pensar bem, existem finais conclusivos, com todos os pingos nos i’s, na vida real? 

Portanto, não acho coerente de minha parte dizer que não gostei da leitura por conta de um final totalmente coerente. Connell e Marianne, pessoas extremamente normais que se acham anormais (quem nunca?), por erros e acertos conseguiram se manter vivos graças um ao outro. Amor incondicional? Alguns vão discordar e dizer que estou romantizando relacionamentos tóxicos, mas não vejo dessa forma. Os dois se amaram apesar de todos os defeitos do outro, mesmo quando esses defeitos feriam. Se amaram porque a parte boa de cada um deles valia a pena. No fim das contas, tiveram um final feliz à moda vida real.

Uma resenha completa vai sair lá no meu canal do YouTube em um futuro próximo, enquanto a resenha resumida vai sair lá no meu Instagram, também em algum momento futuro.

Agradeço por ler até aqui e, se tiver algo a comentar, fique à vontade.

Beijos

Autor:

Leitora assídua, tradutora, intérprete (sim, são duas coisas diferentes), bookstagrammer, escritora em construção. Hipérbole é meu nome do meio.

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