O cocô do cavalo do bandido

O cocô do cavalo do bandido voou e foi parar no cérebro da moça que nada tinha a ver com a história. Uma artista em corpo de professora mal paga e completamente desvalorizada em todos os sentidos. E, de pensar tanto em sua impotência, acreditou ser incapaz. Invisível. O sonho era grande e ela estava disposta a voos altos. Não tinha medo da queda, nunca tinha tido. Mas, agora que o cocô do cavalo do bandido havia se misturado ao cérebro, ela sentia como se já tivesse caído; a queda havia quebrado todos os seus ossos e ela, mais uma vez, estava impotente, incapaz. E invisível. As pessoas ao seu redor a olhavam – quando olhavam –, mas não ajudavam a remendar seus ossos. Não chamavam um médico, não paravam para ajudar, não achavam que ela merecia. Afinal de contas, há tanta gente no mundo para ser ajudada, por que razão ela seria uma delas? Ela não podia se esquecer: era o cocô do cavalo do bandido e as pessoas a tratavam como tal.

Foto por Dids em Pexels.com

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