De volta para os anos 80

Minirresenhas dos meus minicontos favoritos

De volta para os anos 80 é uma coletânea de 35 minicontos escritos pelos alunos do curso Formação de Escritores da Metamorfose, que, como o título deixa claro, tratam de algum assunto relacionado aos anos 1980. Já fiz um post no meu Instagram sobre o livro, mas achei que os meus favoritos mereciam um pouco mais de espaço. Portanto, abaixo estão minhas considerações sobre cada um desses títulos:

Funcionário padrão

Ana Helena Reis

A inflação da época do governo Sarney é o grande tema deste conto, que se passa dentro de um supermercado enquanto as mulheres tentam fazer a compra do mês. O grande vilão aqui é o funcionário do título, que vem com sua maquininha de remarcar preços, a todo vapor, em direção às mercadorias. O conto de Ana Helena Reis me fez pensar sobre os pontos de vista e sobre o que temos de fazer para simplesmente sobreviver. Existe alguém errado nessa história toda além do próprio governo?

Além do infinito

Camila Beltran

Quem nunca quis ser paquita da Xuxa que atire a primeira pedra. Ou, pelo menos, que atire a primeira pedra quem nunca sonhou que sua cartinha tivesse a sorte de cair nas mãos da apresentadora, dentre as milhares que ela jogava para o alto. O conto de Camila Beltran nos transporta vividamente para a atmosfera desses sonhos, descrevendo as calças fuseau e a disputa pela televisão. Além disso, há um tópico sobre o qual eu nunca havia pensado até ler o conto, talvez por nunca ter, de fato, achado que poderia me tornar paquita: as escolhidas eram sempre brancas e loiras. Fiquei alguns dias pensando nessa história não só pela nostalgia, mas também por conta dos sonhos que ficaram pelo caminho por terem apenas a ver com uma sociedade racista.

Até quando?

Flávia Longhi

O conto de Flávia Longhi é curto e forte, uma narrativa sobre a tortura que muitos dizem não ter existido. O relato é feito em primeira pessoa e as falas das outras pessoas envolvidas são bem construídas. Sentimos o choque de cada uma delas. A reflexão é justamente o título: até quando?

Voo

Leney Veloso

Talvez o meu conto favorito desta coletânea. Eu sou apaixonada por histórias narradas do ponto de vista de personagens não-humanos, e Leney soube trazer um carrinho de rolimã à vida de uma forma muito gostosa e tocante. Senti até o vento levantando meus cabelos.

Não identificado

Luiz negrão

Como boa amante da vida extraterrestre fictícia, este conto parece ter sido escrito para mim. Luiz Negrão conta a história de uma esposa que está preocupada com seu marido, capitão da Força Aérea, que voltou do trabalho e não acordou mais. A tensão é construída de uma forma bem fluida e quase fantástica, levando ao meu tipo preferido de final: aquele em que tudo é revelado na última frase. Mulder certamente adoraria investigar este caso.

Em chamas

Marina González

Uma espécie de retrato de Porto Alegre e alguns de seus habitantes, Em chamas narra os pensamentos e ações de uma mulher escritora durante um incêndio no prédio em que mora. A pitada de humor que Marina coloca em suas palavras é o ponto alto da história, já que, sim, eu também salvaria meus manuscritos e, não, também nunca entendi por que as mulheres colocavam collant por cima dos shorts para as aulas de aeróbica. Há ainda algo de profundo na reflexão final, que traz à tona a boa e velha pergunta: se eu morresse hoje, morreria satisfeita com o que fiz ou deixei de fazer?

Subversão

Rosane Rommel Cardoso

Este conto é o que parece pelo título e, ao mesmo tempo, não. Por meio de uma metáfora muito incrível, um pai responde à pergunta de sua filha sobre o que aconteceu com sua mãe. É a história de um jardim e também a história da História. A escolha de palavras foi certeira para evocar imagens e sentimentos.

No vale da morte

Sarah Alves

Um taxista está à espera de um passageiro e reflete sobre o lugar onde mora em 1984 – o chamado “vale da morte”. A tensão é construída a partir do momento em que um passageiro entra e pede para ser levado até à Vila Socó, palco de um incêndio sem precedentes (e que pode ser inferido pelo texto, mesmo que a pessoa que lê não conheça os fatos da tragédia). A atmosfera sombria que se assemelha à de filmes dos anos 80 é o destaque deste conto.

A fugitiva

Valéria Machado

Um conto sobre sonhos e a vontade imensa de realizá-los. Uma história que poderia ser como a de qualquer adolescente, mas com um fator que me deixou com um quentinho no coração. Às vezes, ter possibilidades de fins é muito melhor do que finais totalmente fechados.


Caso tenha interesse em ler este livro também, ele pode ser encontrado no site da editora ou com os autores. Recomendo a Marina González ;).

Luz em meio ao caos

Estamos vivendo em um universo paralelo, isso é um fato. Em algum momento, atravessamos alguma barreira invisível enquanto a Terra girava e acabamos em um lugar onde não pertencemos. Sabe esse monte de gente antivacina e bolsonarista? Então, essas pessoas são parte deste universo novo; as pessoas do nosso mundo ficaram lá no nosso mundo original, criando uma outra linha do tempo.

Esta é a minha explicação fantasiosa para toda a falta de humanidade porque só a ficção consegue me impedir de querer dormir até que as coisas estejam resolvidas; só a ficção me faz abrir os olhos de manhã e falar: tá ruim, mas ficar deitada só vai fazer piorar.

E, bom, na ficção eu conheci Monica Reyes que, além de me trazer amigos para a vida, também me apresentou à pessoa que a interpretava. Sabe uma pessoa cheia de luz? Essa é Annabeth Gish. E é bem fácil falar quando estamos separadas por uma tela, uma distância territorial gigante e vidas completamente distintas. Muitas pessoas me dizem que preferem não conhecer seus ídolos para não desfazerem a ideia perfeita que fazem deles, mas eu sou adepta do “VEM CÁ ME DAR UM ABRAÇO”. Não é segredo para ninguém que eu já viajei muito (e comi muita salada de mercado) apenas para conhecer pessoas que me inspiram. O interessante é que, desde 2001, nunca tive a oportunidade de conhecer Annabeth Gish. O sonho foi sempre ficando para depois para que outras coisas pudessem ser concretizadas.

E que estranho é o fato de que justamente na época em que abraçar pode custar uma vida esse sonho tenha se realizado em partes. Uma Comic Con online, um chat de dois minutos que se transformaram em quatro, um pacto: você mostra os seus escritos para o mundo que eu vou fazer o mesmo. O começo de uma percepção: eu posso, eu consigo, eu vou atrás.

Desde então, entrei para um grupo de escritores, enviei dois contos para editais, publiquei meus textos mais curtos no Instagram e até declamei dois dos meus próprios poemas sem ter vergonha. Eu também criei uma campanha de apoio ao meu trabalho e uma categoria dentro dela em que as pessoas têm um texto meu como recompensa. Quem diria que esta seria a categoria na qual tenho mais apoiadores? Uma conversa de quatro minutos com uma pessoa cheia de luz me fez dar um passo enorme em meio a um limbo de depressão e de dias cinzentos, me fez enfrentar os meus dias mais difíceis apenas dizendo palavras de incentivo.

E, então, pulamos para maio do ano seguinte, um ano em que a humanidade parece estar sendo vencida por aqueles seres do universo paralelo onde viemos parar, um ano em que viver cada dia sem uma crise de pânico é uma vitória. Neste ano, Annabeth participa de um painel na mesma Comic Con, mas, desta vez, falando sobre seu papel em outra série. Uma pergunta vem de uma fã para o elenco de tal série: se vocês fossem fantasmas, como vocês assombrariam as pessoas? A resposta de Annabeth? Que ela seria um fantasma do bem, que ela cochicharia no ouvido das pessoas palavras de incentivo quando elas estivessem passando por momentos difíceis. Eu seguro as lágrimas.

Seguro até o momento em que Annabeth aparece novamente na minha tela ao vivo, empolgadamente me dando oi com ares de reconhecimento. E, então, eu digo a ela: você é o meu fantasma do bem da vida real. Ela quer que eu repita como forma de incentivo para ela também. A gente conversa, mas também é cortada pelo cara chato da Comic Con que não deixou que os dois minutos fossem mais que isso. Fiquei sem screenshot bonitinho e provavelmente não vai ter nenhum momento no vídeo em que as duas estão sorrindo para a câmera para que eu mesma possa tirar esse screenshot. Mas teve uma promessa dela de continuarmos a conversa no Instagram para que minha pergunta não ficasse sem resposta. Teve um “estou muito orgulhosa de você” e também teve um “antes de qualquer coisa, eu preciso falar: seu cabelo é maravilhoso!”. Teve uma humanidade da qual eu estava sentindo falta.

Neste mundo virtual em que todos se acham celebridades, quem responde a comentários é visto como uma pessoa diferente e quem retribui o carinho que recebe é visto como excepcional (ainda me assusto de pensar que uma vez perguntei nos meus stories o que as pessoas achavam que era o meu diferencial como produtora de conteúdo e a grande maioria respondeu: você conversa com a gente), em um mundo louco como esse, quando encontramos pessoas como Annabeth é como um abraço quentinho, um alento, uma nesga de esperança. É como encontrar o ser humano da Terra em que deveríamos estar.

Por um mundo com mais pessoas como ela. Por um mundo em que possamos ser inspirações uns dos outros. Por um mundo com pessoas que se lembrem como ser pessoas.

Indicados ao Oscar 2021– filmes baseados em livros

Todo ano é a mesma história: me proponho a ver todos os filmes indicados ao Oscar e, depois, me esqueço completamente.

Este ano foi um pouco diferente, graças a uma alma caridosa no Instagram que compilou em um template todos os filmes, curtas e documentários indicados para a 93ª edição da premiação. Com isso, consegui assistir (até agora) 30 dos títulos desta lista. Um recorde de uma vida inteira.

Como vários desses filmes são adaptações de livros, decidi trazer para vocês uma lista com 6 dos filmes desta “subseleção” de que mais gostei. São eles:

Era uma vez um sonho

Título original: Hillbilly Elegy

Indicado ao Oscar nas categorias de melhor atriz coadjuvante (Glenn Close) e maquiagem e cabelo. (Cadê a indicação da Amy Adams, gente??)

Baseado no livro homônimo de J.D. Vance, o filme conta a história de uma família desajustada, onde todos têm muitos sonhos, mas também muitos obstáculos pelo caminho. O filme me deixou pensativa sobre os caminhos que escolhemos seguir e até que ponto podemos escolher as pessoas que amamos em detrimento de nós mesmos. Recomendo muitíssimo!

O filme pode ser assistido na Netflix e o livro está disponível em capa comum e e-book (também incluso na assinatura do Kindle Unlimited, que está de volta com a promoção de R$ 1,99 por três meses).


O céu da meia-noite

Título original: The Midnight Sky

Indicado ao Oscar na categoria de efeitos visuais.

Baseado no livro Good Morning, Midnight, de Lily Brooks-Dalton, O céu da meia-noite conta a história de um cientista que escolhe ficar para trás enquanto os últimos seres humanos deixam a Terra, que já atingiu seu ponto máximo de destruição. A história muda de rumo quando o personagem interpretado por George Clooney descobre que não é a única pessoa que foi deixada para trás. Em paralelo, acompanhamos a jornada de um grupo que está tentando voltar à Terra com suas descobertas sobre um planeta que pode ser um novo lar para os seres humanos, até que perdem a comunicação com a Terra e começam a desconfiar que há algo terrivelmente errado.

Eu ouvi o livro de Brooks-Dalton na época em que ele foi lançado, em inglês, e gostei muito, mas me lembro de ter ficado um pouco decepcionada com a divulgação como ficção científica quando, na minha opinião, o livro está mais para um drama. Apesar de o mesmo acontecer com o filme, por ter ido sabendo o que esperar, consegui amar absolutamente tudo da versão cinematográfica.

O filme pode ser assistido na Netflix. Já o livro, encontra-se em pré-venda tanto na Amazon quanto no site da editora Morro Branco.


Emma

Título original: Emma

Indicado ao Oscar nas categorias de figurino e maquiagem e cabelo.

Está aí uma grande surpresa para mim. Tentei ler a obra tão aclamada de Jane Austen e desisti depois da página 10. Logo, fui sem expectativas para o filme, que só assisti mesmo porque está na lista de indicados (e porque minha irmã está no período de gratuidade do Telecine Play). A história da moça irritante que quer casar todos ao seu redor me cativou de uma forma muito peculiar. Fiquei pensando no quanto uma mulher ser segura de si é visto como arrogância, enquanto o mesmo não se aplica a um homem, além de ter ficado extremamente maravilhada por todos os cenários do filme, até mesmo quando o cenário era uma loja de lãs e linhas. Uma história gostosa, perfeita para aqueles dias em que só queremos paz.

O filme pode ser assistido no Telecine Play e o livro pode ser encontrado em suas diversas edições aqui.


O grande Ivan

Título original: The One and Only Ivan

Indicado ao Oscar na categoria de efeitos visuais.

Eu sou dessas que não se emocionam muito com filmes, a não ser que eles envolvam animais. Logo, já cliquei em “reproduzir” com medo de ficar traumatizada. O trauma não veio, ainda bem, mas fui dormir chorando.

O filme conta a história do gorila chamado Ivan, conhecido por ser a atração principal de um circo. Com a chegada de um filhote de elefante para a família circense, Ivan percebe que a vida dentro de uma jaula não é exatamente uma vida plena e, com a ajuda de uma garotinha fofíssima, começa a tomar uma atitude para mudar sua situação e a de seus amigos. O filme é baseado em um livro infantil de mesmo nome da autora Katherine Applegate que, por sua vez, é baseado em uma história real. A parte da história real foi o que me fez ir dormir chorando. Mas não se assuste – o filme também conta com muitos momentos fofos e engraçados. Vale a pena!

O longa pode ser assistido na plataforma Disney+ (dica: clientes Vivo têm 30 dias grátis) e o livro pode ser encontrado aqui.


Rosa e Momo

Título original: La vita davanti a sé

Indicado ao Oscar na categoria de canção original, com a música Io sì. (Escrita por Diane Warren, com versão e interpretação de Laura Pausini).

Eu fiquei sabendo que este filme existia enquanto assistia à premiação do Globo de Ouro porque, de repente, minha italianinha favorita ganhou um prêmio ao qual eu nem sabia que ela estava concorrendo. Fora isso, meu conhecimento sobre a obra era nulo.

Sophia Loren interpreta uma mulher judia sobrevivente do holocausto que se vê “obrigada” a cuidar de um órfão de 12 anos não muito bem encaminhado na vida. O menino faz pequenos trabalhos como traficante de drogas, furta, e é o pré-adolescente mais chato do planeta (o que me fez aplaudir de pé a atuação de Ibrahima Gueye; há tempos não sentia tanta irritação com um personagem quanto senti no começo deste filme). A história pode ser bem previsível a partir daí, mas não deixa de ser emocionante por isso. Desta lista toda, talvez tenha sido o que mais gostei.

Rosa e Momo é uma adaptação do livro A vida pela frente, de Romain Gary, escrito sob o pseudônimo de Émile Ajar. Já tinha visto o livro por aí, mas nunca iria imaginar que o filme tinha algo a ver com ele. Agora vou precisar ler, obviamente.

O filme está disponível na Netflix e o livro pode ser encontrado na Amazon ou na loja da editora Todavia.


Relatos do mundo

Título original: News of the World

Indicado ao Oscar nas categorias de melhor trilha sonora, melhor som, melhor fotografia e melhor design de produção.

Baseado no livro homônimo de Paulette Jiles, o filme conta a história de um veterano de guerra que ganha a vida indo de cidade em cidade lendo as notícias dos jornais para a população. Em uma de suas passagens, o personagem interpretado por Tom Hanks encontra uma criança que não fala a língua dele e que perdeu duas famílias em tão pouco tempo de vida. O veterano, então, faz de sua missão levar a pequena até seus únicos parentes vivos. Acompanhamos a cumplicidade que nasce entre os dois e os obstáculos que têm de enfrentar até chegarem ao seu destino. Apesar de um pouco previsível, não é aquele tipo de previsibilidade ruim, mas sim daquele tipo que torcemos para que aconteça. Um filme amorzinho demais e que reforça algo que não posso dizer para não estragar a experiência de vocês.

O filme também está disponível na Netflix e o livro está em pré-venda na Amazon.

Ufa! Finalmente acabou! Há alguns outros que também são baseados em livros, mas escolhi falar dos meus favoritos para que esta lista não ficasse intoleravelmente gigante. Espero que tenham gostado!

Não sigo de volta

E por que isso não deveria importar

De vez em quando, gosto de analisar quem eu sigo no Instagram e se vale a pena continuar seguindo essas pessoas. Faço isso porque, por mais fútil e estranho que isso possa parecer, eu fico muito chateada quando não consigo acompanhar o conteúdo de todo mundo. É lógico que entre as pessoas que sigo estão familiares e amigos, mas também sigo muitos produtores de conteúdo. Se o produtor está produzindo e eu não estou consumindo, o resultado é negativo para ambos, já que os posts não chegarão até mim com prioridade e eu não vou estar ajudando essa pessoa a crescer. (Há quem ache que crescimento está diretamente relacionado aos números, mas essa ideia está um tanto quanto ultrapassada, sinto dizer).

O “problema” começa a acontecer quando noto que as pessoas param de me seguir de volta quase que imediatamente após eu ter clicado no botão “parar de seguir”. Elas têm todo o direito de fazer isso, obviamente; cada um age de acordo com o que acredita ser certo. Se meu conteúdo não faz diferença para elas, faz sentido que elas parem de me seguir também. Mas aí vem a pergunta: por que, então, essa pessoa não parou de me seguir antes? Era medo que eu fosse parar de seguir de volta? A resposta é: provavelmente sim. (A outra resposta possível é: só parou de te seguir porque você parou de segui-la; imaturidade pura).

O Instagram mudou muito ao longo dos anos, mas o que não mudou foi o ego das pessoas. É natural, todos temos egos e eles às vezes se tornam insuportáveis (o meu, pelo menos, dá vontade de afogar de vez em quando). E sabe o que também não mudou? As pessoas enxergam não apenas o outro como um número, mas a si mesmas. Se o fulano parar de me seguir de volta, significa que eu vou ter menos números para mostrar para as editoras; significa que meu trabalho não é bom o suficiente para chamar a atenção de alguém. Por isso, não paro de seguir fulano e mais 307 outras pessoas que não curto porque não quero perder 307 seguidores. Estou falando por experiência própria, aliás, que isso fique bem claro.

Quando comecei meu Instagram literário, eu não fazia ideia do que fazer para conseguir seguidores. Fui pelo caminho que eu achava ser o mais fácil: comecei a seguir todos os perfis literários que o Instagram me sugeria para ser seguida de volta. Funcionou por um tempo, até que eu percebi que ninguém estava nem aí para o que eu estava publicando; as pessoas me tratavam exatamente como eu as tratava: como volume para a parte numérica lá do meu perfil. E sabe o que mais fui reparando conforme o tempo foi passando? Que eu não tinha mais vontade de rolar meu feed e ver o que as pessoas estavam postando, pois nenhum dos livros que ali apareciam eram do meu gosto. Os livros pelos quais eu me interessava mesmo não estavam nos perfis que eu seguia porque eu não tinha aplicado critério algum. Eu não olhei para mim mesma como consumidora, eu olhei para mim mesma como uma pessoa que deixou o ego falar mais alto e quis um monte de seguidores acima de tudo. Foi nesse momento que comecei a repensar quem iria para a minha lista de “seguindo” e filtrando o que eu queria ver.

Passado algum tempo e depois de muitos altos e baixos com a plataforma, também comecei a aprender como o algoritmo do Instagram funciona. Fiquei chocada ao descobrir que dar o seu melhor em uma publicação é apenas uma fatia pequena do processo. O algoritmo também leva em consideração o que o seu seguidor curte, com que publicações ele interage, as pessoas que ele segue (e mais alguns fatores dos quais não vou me lembrar agora) para entregar seu post ou não para tal seguidor. Vamos supor, então, que eu curta várias fotos de livros eróticos, por exemplo, apenas porque quero ajudar e incentivar uma pessoa que está começando nesse mundo. Da próxima vez que eu entrar no Instagram, o meu feed vai estar praticamente cheio de fotos de livros eróticos, já que o Instagram entendeu que esse é o tipo de conteúdo que quero receber. E estaria tudo bem se eu lesse livros eróticos e fosse a única coisa que eu consumisse, mas sabe aquele perfil maravilhoso que fala sobre ficção científica e que fez uma publicação incrível que eu provavelmente amaria? Então, ele não vai aparecer para mim porque o Instagram entendeu que eu gosto mais de livros eróticos. Logo, estou vendo o que não quero ver e ainda prejudicando um perfil que nada tem a ver com isso, simplesmente porque não fui sincera no meu engajamento. Sabe aqueles perfis que você olha e fala: não sei como não tem mais gente seguindo essa pessoa e por que esse post não teve alcance? Então, isso é consequência desse “quero ajudar” (e um dos motivos pelos quais também sou um pouco hesitante quanto a grupos de interação, já que ajudam de um lado e prejudicam de outro).

Antes que este post fique mais longo do que eu pretendia, o que eu quero dizer com tudo isso é: não faz sentido você seguir alguém “só para ajudar” ou porque a pessoa tem poucos seguidores ou porque “num país como o Brasil, é bom mostrarmos apoio”. Esse tipo de apoio não funciona nem para a pessoa que você quer apoiar nem para você. Esse tipo de fala é uma máscara para: não quero perder seguidores, então também não paro de seguir. Esteja presente nos perfis que você curte, mas PORQUE VOCÊ CURTE DE VERDADE. Se você consome o que você quer consumir, a pessoa te seguir de volta ou não fará pouquíssima diferença, se é que fará alguma. É o seu público alvo que deve curtir seu conteúdo, lembre-se sempre disso. E se você não souber qual é o seu público alvo, concentre-se na pergunta: por quê? Por que eu faço isso? Se você souber responder o motivo de seu projeto, também terá a resposta para quem é seu público alvo. Tendo a resposta sobre o seu público alvo, você vai ver que o “seguir de volta” não deveria importar nem um pouco.

Sigo esperando que essa utopia um dia seja alcançada. Enquanto isso, faço posts no blog e espero não ser cancelada.

O caminho é longo. Foto autoral, tirada em Giant’s Causeway, Irlanda do Norte.

A edição de um livro influencia o ritmo de leitura?

Eu sempre achei frescura das pessoas quando as via falando de as páginas do livro serem brancas, ou finas demais, ou que um capítulo termina e, na mesma página, outro começa. Sempre pensei: “Nossa, mas o mais importante não é a história? Se a história for boa, você vai ler de qualquer jeito.”

Mas a vida tem aquele jeitinho especial de nos mostrar quando estamos errados simplesmente nos fazendo passar por determinada situação. A minha situação está sendo com a experiência de leitura de A sombra do vento, de Carlos Ruiz Zafón. O livro está incrível, a história é muito boa, as personagens todas são muito bem construídas, não há descrições muito desnecessárias… enfim, tudo o que um livro precisa ter para me agradar.

Mas a leitura não anda.

Sabe aquela sensação de ter lido por uma hora ininterrupta e continuar na mesma página?

Fiquei me perguntando o porquê de um livro aparentemente curto e “simples” estar se arrastando tanto, até que cheguei a uma conclusão: é a edição.

Uma mão segura o livro A sombra do vento em frente a um fundo bege. A foto está com algumas sombras. No canto esquerdo, a marca d'água do blog/instagram: Nane Verso 2021 dentro de um triângulo.
Edição de A sombra do vento que tenho

A edição na qual estou lendo é da editora Objetiva, com 341 páginas. Só que são 341 páginas com capítulos que começam na mesma página em que termina o outro e, pode ser apenas impressão minha, mas sinto que as margens são um pouco menores do que as dos livros que estou acostumada a ler. A leitura “não anda” porque a diagramação não é exatamente convidativa para mim.

Há alguns anos, passei por um programa de reabilitação alimentar em que aprendi que os olhos são parte importante da refeição; um prato bonito de se ver tem muito mais chances de me fazer comer de maneira saudável do que um prato arrumado de qualquer jeito. E chego hoje à conclusão de que isso serve também para os livros.

Talvez seja esse o motivo de todo mundo dizer que a leitura no Kindle rende muito mais do que a leitura em um livro físico; afinal, você pode personalizar sua experiência de leitura, com as fontes e margens que julga mais adequadas, além de não precisar ficar ansioso de ver os números de páginas não passando, se não quiser.

Este post, então, é um pedido de desculpas a todas as pessoas que julguei. Hoje entendo suas “dores” e concordo que uma boa edição pode, sim, influenciar a experiência de leitura.

Tela azul

Eu não aguento mais tanta gente morrendo. Eu não aguento mais estar 5 dias atrasada nas tarefas (de acordo com meu planner). Eu não aguento mais não aguentar mais e continuar aguentando, como dizia um post que vi ontem no Instagram.

O mais triste é saber que não estou sozinha. Geralmente, não estar sozinha é algo que me ajuda, mas não na atual situação. Não sabemos mais que dia é hoje, não sabemos mais até que ponto a concepção de tempo é mesmo real ou apenas uma invenção da humanidade. Disse isso para uma seguidora/apoiadora no Instagram: não sei mais até que ponto é verdade que a Terra gira e que tenhamos dias e noites e até que ponto isso não é só uma ilusão de ótica para nos fazer colocar algum padrão em alguma coisa.

Pensando bem, acho que escrevi exatamente sobre isso sem querer. É na ficção que minhas ideias mais estranhas se mostram e, aparentemente, são apenas ficção mesmo. Pois, afinal, como é que poderíamos todos estarmos sendo controlados sem sabermos? (A raça humana inteira e o universo todo, mesmo, não o controle que atribuímos ao Sistema e à Sociedade como um todo).

Isso me lembra que preciso refinar mais meu texto porque o edital para o qual o escrevi tem prazo. O que me lembra do prazo do outro edital, para o qual jurei que enviaria um texto também, mas as ideias se embolaram tanto que se transformaram numa história que uma criança de 5 anos escreveria nas aulas de redação da escolinha. (Tem aula de redação na escolinha?)

A memória, aquela de que me gabo o tempo inteiro, está nebulosa. Será que parte do conteúdo dela foi carregado para a nuvem e esse é o real motivo? Poderia ser. Em um mundo cada vez mais desumano, parece que viver em forma de dados seria a melhor opção – apenas fatos, nenhum sentimento.

Uma vida imortal e indiferente. Talvez apenas uma vida diferente.

O Globo de Ouro de Gillian Anderson e o que isso tem a ver comigo

Fotos respectivamente do GettyImages e da NBC (mas também poderia ter sido uma foto da minha TV)

Eu comecei este post querendo ser profunda, mas a escrita não estava fluindo. Isso, para mim, é sinal de que estou escrevendo errado, sem coração. O que eu queria falar mesmo era de como meu coração se encheu de ver Gillian Anderson ganhar o segundo Globo de Ouro de sua carreira, de como eu a admiro cada dia mais, e de como Marina, Ana e eu achamos que o Oscar vem para ela antes dos 60. Mas, sabe, as pessoas acham esse tipo de post fútil. Alguns, inclusive, postam nas redes sociais frases do tipo “Apoie seus amigos como você apoia suas celebridades preferidas que não estão nem aí para você”.

Olha, isso é bem verdade. A Gillian não está nem aí para mim. Ela viu a minha cara algumas vezes e até se lembrou de mim por um fim de semana inteiro, mas foi tudo o que consegui de memória dela. E está de bom tamanho para mim. 

O que importa mesmo é o sentimento que ela causa em mim, a inspiração que ela irradia e me faz querer mais, ser mais. E é essa troca, mesmo que ela não saiba que está trocando algo comigo, que me impulsiona também a ver o mundo de outra forma. Somos apenas parecidas no quesito de não gostarmos muito de pessoas (de vez em quando?), ou talvez nas caretas que fazemos quando nos sentimos confortáveis com alguém. Mas Gillian é tão parte de mim quanto são meus (poucos) amigos. Eu posso não ser parte dela, mas ela é parte de mim. Então, por que não falar dela quando ela atinge um novo ápice de sucesso? Por que não exaltar o sucesso de quem me faz bem? E ela me faz tão bem que, ao assistir o Globo de Ouro só para vê-la, acabei entrando num buraco fundo de reflexão sobre a vida, sobre minha trajetória até aqui. 

Enquanto assistia à premiação, tive algumas surpresas. A surpresa mais marcante poderia ter sido Laura Pausini ganhando o prêmio de melhor canção original e eu nem saber que ela havia sido indicada. Poderia ter sido também Josh O’Connor ganhando o prêmio de melhor ator por seu papel como príncipe Charles em The Crown, mesmo não sendo favorito. Mas não. A surpresa maior foi ver Hugh Grant cheio de rugas e de cabelos brancos. Foi ver Sean Penn e precisar analisar bem para ter certeza de que era ele mesmo. Foi ver Al Pacino quase irreconhecível. Porque, mesmo não sendo fã deles como sou de Gillian, os filmes deles me acompanharam pela vida também. Ver a juventude se transformando em velhice foi algo chocante porque me lembrou da minha própria finitude, do meu próprio envelhecimento. Não sou mais a criança que assistia Arquivo X com a mãe nas noites de sextas-feiras. Eu cresci e agora sou mulher, tenho que encarar com muita fé.

Fiquei nostálgica por tempos que gostaria que voltassem, mas, principalmente, fiquei ansiosa pelo futuro. Geralmente, a ansiedade me mata; desta vez, ela está me fazendo ver as coisas por outro ângulo. Porque, da mesma forma que atores e atrizes envelheceram e já nem ouço mais falar tanto deles, outros atores e atrizes estão envelhecendo cada vez mais fortes, com voos cada vez mais altos, com a frase clichê estampada no inconsciente: o melhor ainda está por vir.

E foi isso que Gillian Anderson ganhando seu segundo Globo de Ouro aos 52 anos fez por mim: me fez enxergar que, apesar de estar envelhecendo, não sou tão velha que meu auge tenha ficado para trás. 

Parabéns, Gillian. Obrigada, Gillian.

O cocô do cavalo do bandido

O cocô do cavalo do bandido voou e foi parar no cérebro da moça que nada tinha a ver com a história. Uma artista em corpo de professora mal paga e completamente desvalorizada em todos os sentidos. E, de pensar tanto em sua impotência, acreditou ser incapaz. Invisível. O sonho era grande e ela estava disposta a voos altos. Não tinha medo da queda, nunca tinha tido. Mas, agora que o cocô do cavalo do bandido havia se misturado ao cérebro, ela sentia como se já tivesse caído; a queda havia quebrado todos os seus ossos e ela, mais uma vez, estava impotente, incapaz. E invisível. As pessoas ao seu redor a olhavam – quando olhavam –, mas não ajudavam a remendar seus ossos. Não chamavam um médico, não paravam para ajudar, não achavam que ela merecia. Afinal de contas, há tanta gente no mundo para ser ajudada, por que razão ela seria uma delas? Ela não podia se esquecer: era o cocô do cavalo do bandido e as pessoas a tratavam como tal.

Foto por Dids em Pexels.com

Sem gentileza – Futhi Ntshingila

Foto autoral

As primeiras páginas de Sem gentileza, escrito pela sul-africana Futhi Ntshingila, ditam a intensidade do que teremos pela frente. Mvelo, 14 anos, cuida sozinha da mãe com aids e precisa vasculhar os lixos em busca de comida para poderem sobreviver. Esta situação está destacada em um trecho que escancara as diferenças entre as classes:

Nós, os esquecidos, sabemos que segunda-feira é dia do lixo. Nós saímos em peso nas manhãs de segunda para vasculhar os sacos pretos que guardam essa linha frágil entre a vida e a morte para nós.

Ficamos com essa sensação de aperto no peito à medida que, uma após a outra, as tragédias vão moldando a vida de Mvelo. E não que gostemos de tragédia ou torçamos para isso, mas é o que faria mais sentido naquele contexto. O coração, de apertado, vai até à boca. Nos seguramos na cadeira e quase roemos as unhas quando… a autora começa a contar outra história, do nada. Sim, histórias de outras pessoas (ainda que relacionadas à história de Mvelo), deixando aquela sensação de anticlímax no ar e no fundo da nossa garganta. O coração volta para o lugar, desapontado.

É compreensível o caminho que Ntshingila toma para demonstrar a importância da ancestralidade e de conhecermos a cultura de um país acostumado com adolescentes sendo engravidadas por “tios”, com violações disfarçadas de teste de virgindade e com homens que acreditam ser trabalho da mulher se proteger contra doenças e gravidez em plena alta do vírus HIV. É compreensível, mas não necessariamente a melhor escolha para manter o leitor cativado. Afinal, por que começar o romance contando a história de Mvelo se a personagem vai ser “esquecida” até quase o fim do livro? Falta equilíbrio entre os pontos de vista, nos dando a sensação de que algo deu errado em algum momento da escrita e que ninguém notou antes de publicar. A impressão que fica quase até o fim é que Mvelo, no fim das contas, fora apenas o gatilho para a história real que Ntshingila estava tentando contar.

O que ela queria contar mesmo é a história dos conflitos entre brancos e negros, entre negros e negros, entre os seres humanos e o HIV, entre as mulheres e a liberdade que nunca tiveram. Há muitas questões importantes que são pontos de reflexão neste livro, que abrem debates também importantes ainda nos dias de hoje. A história se passa nas décadas de 1990/2000, o que significa que não está tão longe assim do que conhecemos hoje. O patriarcado ainda está aí, mulheres reproduzindo discursos patriarcais sem saber também, e, principalmente, homens que se acham donos de mulheres simplesmente por terem um órgão balançando entre as pernas. Homens que confundem abraço com “quero transar” e homens que se doem quando usamos a palavra “patriarcado”. É dolorido sentirmo-nos na pele de Mvelo e de Zola em muitas situações.

Em contraste com esse sentimento e de forma bem executada, Futhi Ntshingila narra os acontecimentos com destreza e sutileza. Ela nos engana ao nos fazer pensar que estamos prestes a ver outra tragédia se desenrolar para, então, nos presentear com a mulher vencendo. O problema disso tudo é que, em determinado momento, a história fica tão leve que a narrativa se perde em meio a uma novela mexicana digna de ser reprisada no SBT por anos a fio. De repente, sentimos que uma história que começou extremamente adulta se tornou infantil, com soluções tão mirabolantes que até Paola e Paulina se surpreenderiam.

O fato é que o livro começa no topo da escada e termina no primeiro degrau. Uma pena. No entanto, fica aqui a indicação para quem gosta de sair do eixo comum de leituras (que geralmente se resume a Estados Unidos, Reino Unido e Europa) e para quem tem interesse em saber um pouquinho mais sobre a África do Sul.


Livro lido para o projeto Epifanias Continentais, da @epifaniasliterarias_ .


Editora: Dublinense

Tradução: Hilton Lima

Páginas: 160

Westworld – Um é pouco, dois é bom…

E talvez três seja mesmo demais.

Imagem: HBO Brasil

Westworld é uma série instigante sobre um aparente clichê da ficção científica: inteligências artificiais ganhando consciência e se rebelando contra a horrenda raça humana. É fácil de se identificar com as personagens que vivem neste lugar fictício chamado Westworld que, para eles, é a realidade. Os anfitriões, como são chamadas as inteligências artificiais em formato humano, são reiniciados e têm sua memória apagada a cada vez que são mortos. Os anfitriões, afinal, foram construídos justamente para satisfazer os desejos mais obscuros dos humanos, conhecidos como convidados – transar a torto e a direito, matar, torturar, estuprar. Não há como não torcer para os anfitriões, desejar que eles acabem com essa gente nojenta que se diz real de uma vez por todas. Não há como não se chocar com algumas reviravoltas (ainda que outras sejam bem previsíveis). Não há como chegar ao fim da primeira temporada sem perceber que se está diante de uma produção quase perfeita.

A segunda temporada, apesar de desnecessária, desenvolve um pouco mais os ganchos deixados em alguns episódios da temporada anterior e explica algumas coisas para que o final faça sentido. Não que tudo faça sentido de verdade; há algumas falhas, algumas incongruências e até contradições, mas não precisamos prestar tanta atenção assim. A temporada é boa, mesmo que não tão boa quanto a primeira, e também dá a ideia de que uma conclusão naquele ponto específico seria perfeito.

Se ao menos tivessem pensado na expressão “Um é pouco, dois é bom e três é demais” antes de assinarem contratos! Porque a terceira temporada chega para tirar o trem dos trilhos de vez.

Eu costumo dizer que séries com mais de 5 temporadas têm mais de uma fase, de um ciclo, por assim dizer. Não que depois de 5 temporadas elas não continuem boas, mas o rumo muda e tudo fica muito diferente. Para Westworld, esse momento veio bem antes.

Com um enredo quase completamente diferente das outras temporadas (ainda que explicável, devido ao rumo dado pela segunda temporada), a série fica morna, meio que parecendo que perdeu o propósito. Os quebra-cabeças que tínhamos que montar nas temporadas anteriores não estão ali, os episódios não são mais empolgantes, Dolores (personagem principal) se torna insuportável e até o humano mais terrível de todos – William – se torna um personagem sem sal. Menção honrosa para o episódio com o presidente do Brasil que fala português de Portugal e que tem a mesa posta com frutas em uma reunião de negócios (frutas sobre as quais voam moscas, obviamente, porque é exatamente assim que acontecem as reuniões no Brasil). Tal episódio, aliás, não fez diferença alguma para o restante da história.

Demorei 4 dias para ver o penúltimo episódio porque ele estava sendo melhor do que Clonazepam e melatonina tomados em conjunto para mim. Não aguentava mais e praticamente pulei de alegria quando finalmente cheguei ao episódio final. Depois de assisti-lo, minha reação foi: pelo amor da deusa, alguém acaba com essa série antes que seja tarde demais!

Mas aí descobri que Westworld foi renovada para a 4ª temporada.

Uma série que tinha tudo para dar certo e teria dado, tivessem as pessoas envolvidas sabido a hora de parar.